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Este blog é um espaço de debate e partilha de opiniões. Não te esqueças que o sustento do Homem provém da lavoura. Lança a semente, cultiva-a, ela te saciará...

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21.08.15

DE CEUTA A LAMPEDUSA...

Rui Luzes Cabral

Infante_D._Henrique_na_conquista_de_Ceuta,_s.XV.JP

 

A história é o que é, devendo cada Estado ou Nação e o seu povo, além de conhecerem o que se passou, compreenderem a época de cada acontecimento e o seu contexto social, político e económico. Não vou, obviamente, neste pequeno texto, fazer uma análise histórica do que levou Portugal a procurar outras paragens há 600 anos. No semanário Expresso é referido que “a 21 de agosto de 1415, uma armada portuguesa de 212 navios e 20 mil homens conquistou a cidade de Ceuta e marcou o início da expansão ultramarina portuguesa e europeia e o nascimento da globalização”.

 

Ora, o nascimento da globalização, para quem como hoje a conhece, poderá ser uma palavra controversa e o conceito associado em 1415 é totalmente diferente de 2015, mesmo que seja a mesma palavra. Também não vou aqui discutir ou emitir opinião sobre todo o percurso dos Descobrimentos, que desde Camões e Vieira, até Pessoa, para não falar da historiografia dos grandes historiadores portugueses, tão bem foram explicando o que aconteceu. “Ó Mar Salgado, quanto do teu sal / são lágrimas de Portugal!” para que pudéssemos passar “além da Taprobana.”

 

Coletivamente os feitos são “grandiosos”, embora as vidas sacrificadas sejam enormes. Explicar que vale a pena lutar a um jovem que sucumbiu em Ceuta para que a pudéssemos dominar ou ao militar que morreu lentamente nos braços de um seu camarada a defender as ex-colónias, não é fácil e dá que pensar. Se fôssemos nós? Mas não podemos ser “Velhos do Restelo” porque somos em 2015 fruto de toda a nossa história. Uma história que, inserida no continente europeu, nos remete ainda para um outro tipo de supremacia. Se pensarmos no que fomos para chegarmos ao que somos, rapidamente nos apercebemos que de forma muito simplista quase sempre foi o mais forte a conseguir-se impor, independentemente dos meios utilizados para lá chegar. Dos romanos ás invasões de outros povos que os fizeram capitular, passando pela época dos descobrimentos europeus na conquista de outros continentes, temos que admitir que dominou o mais forte. E com os descobrimentos veio o comércio esclavagista, o saque das riquezas, a aniquilação de etnias seculares ou a sua divisão. Muitos dos problemas do continente africano são fruto de tudo isso, um continente dividido a régua e esquadro, subjugado aos países europeus durante séculos. A partir de 1415 os nossos barcos e navios, grandes ou pequenos, atravessaram os mares à procura de melhores condições de vida para as populações do velho continente.

 

Agora, em 2015 ou se quisermos ser mais abrangentes, agora no século XXI, a viagem é ao contrário. De África para a Europa são milhares aqueles que também sonham por uma vida. Não sonham por uma vida melhor porque não vivem, sobrevivem. Não trazem exército, não são mais evoluídos que nós para “conquistarem” as nossas terras e transformarem as nossas Igrejas em Mesquitas como nós fazíamos há séculos atrás. Vêm simplesmente ao sabor das águas, explorados por redes mafiosas e sem escrúpulos. Muitos morrem neste gigantesco cemitério mediterrânico porque os países onde vivem não o são verdadeiramente e nunca o foram.

Pai e filho Síria.jpg

 

A Europa não pode continuar a fechar os olhos a esta calamidade e tem de estender os seu braços. A Europa que lucrou durante séculos com as riquezas africanas e com o trabalho do seu povo tem um dever moral de acolher. Obviamente que a população africana não pode vir toda viver para a Europa, mas pode a Europa criar um mecanismo de ajuda e pode a Europa ajudar a construir uma África melhor, sem querer dominar. Até porque quanto melhor viver o povo africano, melhor é para os europeus por diversos motivos. Por um lado não assiste ao sofrimento que atualmente acontece no mediterrâneo e por outro, quanto mais pujante for a economia africana  mais portas abre aos produtos europeus e à saudável transição de pessoas, seja para negócios ou para turismo. Enquanto a Europa não estender a mão, não para os recolher mortos ou vivos na costa italiana, mas antes para ajudarem a criarem-se condições nos países mais pobres, continuaremos a assistir a um flagelo mundial.

 

A minha pátria não é só a minha nação, a minha pátria é também o bem estar do meu irmão…

 

Legendas das imagens:

- A primeira é refere-se ao painel de azulejos de Jorge Colaço (1864-1942) na Estação de São Bento, no Porto: o Infante D. Henrique na conquista de Ceuta.

- A segunda é a fotografia de Daniel Etter, freelancer a trabalhar para o New York Times, mostra Laith Majid, um refugiado sírio de Deir Ezzor, agarrado aos filhos e com a cara cheia de lágrimas depois de viajar num barco insuflável que transportava 15 homens, mulheres e crianças. O destino era Kos, na Grécia. 

27.01.15

ECONOMIA EUROPEIA DE PARTILHA…

Rui Luzes Cabral

 Bandeira UE.jpg

A Europa, na sua constituição política, assente na procura de modelos sociais e económicos, que deverão ser cada vez mais condizentes com as necessidades das pessoas, tem percorrido um caminho complexo tendo em conta a diversidade cultural do Continente. Um percurso difícil mas que deve ser sempre apoiado, mantendo a matriz da tolerância, da integração, do apoio social, da defesa do ambiente, do respeito pela diferença, da influência que deve apresentar ao resto do mundo, sem impor.

 

A União Europeia, esse mecanismo político que tenta há mais de meio século criar um espaço comum de paz e boas condições de vida, deve procurar chegar a um patamar mais elevado de protecção das pessoas e de credibilização dos diversos sistemas que a compõem.

 

E para se construírem pontes seguras, resistentes às correntes mais fortes, não podem as mesmas estar assentes em barcas de madeira flutuante. Só com o exemplo de quem nos dirige e com a percepção que os interesses dos cidadãos são os primeiros a ter que ser defendidos numa sociedade democrática e livre, é que moralizamos a nossa Europa e criamos uma ideia comum de sociedade plural.

 

A economia de mercado tem os seus aspectos positivos mas não chega para moldar o nosso sistema ocidental de organização económica, que depois empesta negativamente a política, tornando a perceção social disforme na forma e no aspeto. Desde a antiguidade que a política é a arte mais nobre de procura e concretização de sonhos. Deve ser a política, no seu sentido último e verdadeiro fim, o grande mecanismo de representação de um povo. A política não pode ser uma ferramenta dos mercados, de grupos de interesse privado, de ideologias fechadas em objetivos pouco solidários. Os povos não podem estar dentro dessas barcas de madeira, sempre com medo das flutuações. Para estarmos entregues a nós próprios não teríamos evoluído, não teríamos sentido no passado essa necessidade de deixar a “animalidade” de um mundo sem construções físicas, sem construções imateriais e sentimentais. Se evoluímos foi para procurar o bem, ou pelo menos, distanciarmo-nos cada vez mais do mal.

 

Uma sociedade não pode ter dois pesos e duas medidas para o mesmo problema. Não pode nacionalizar prejuízos por todos e privatizar os lucros só por alguns. E a grande maleita da sociedade democrática ocidental, onde está a Europa, é que criou uma rede de micro poderes ocultos que mandam, regulam, distorcem e mudam regras, independentemente da vontade popular exercida na escolha política que fazem.

 

Isto acontece, em parte, porque a humanidade de alguns Homens cede e deixa que, em certos casos, a ideologia do mais forte impere sobre a ideologia da solidariedade. E como referi acima, a evolução deveria aos poucos abandonar a lei do mais forte pois é aí que reside a nossa maior ou menor humanidade colectiva.

 

Não se pode aprofundar uma Europa que é feita de interesses particulares na banca, na regulação, na educação, na justiça, na saúde, na distribuição da água…

 

Como é que queremos aproximar a população da política ativa se nos desresponsabilizamos coletivamente por estes serviços? Como é que é possível ser a banca privada a emprestar dinheiro aos Estados? O Banco Central Europeu serve para quê? Uma coisa é a especulação entre privados, outra coisa são os privados aproveitarem as fragilidades públicas para extorquirem através da legalidade dos juros insuportáveis, o rendimento que faz falta à educação e saúde das pessoas, entre outras necessidades…

 

Um Exemplo: Hoje a vida das pessoas é muito exigente, uma correria diária e quando nos apercebemos abate-se sobre nós a idade sénior. Se queremos subir mais um patamar na dignidade humana, não podemos permitir que as pessoas vivam os últimos anos de vida sujeitas às constipações dos mercados, aos erros dos políticos que elegemos ou aos privados que criamos.

 

A Europa tem de criar um mecanismo de compensação contributiva, para que, qualquer cidadão com mais de 65 anos tenha uma vida digna. Um sistema económico que sirva as pessoas e não só os mercados, em que a dignidade de uma pessoa não esteja dependente das más escolhas de uma sociedade ou da falência de um sistema económico-social. As pensões de reforma a partir dos 65 anos deveriam estar acima de qualquer défice, acima de qualquer ideologia, acima de mercados, acima de qualquer sistema político.

 

Continuar a indexar só as reformas à esperança média de vida e aos trabalhadores no ativo é insistir na tragédia, aliás, como se tem assistido nos últimos anos. Deixar também ao mesmo tempo que os seguros privados floresçam enquanto o estado da segurança social é afetado, leva a que se crie um sistema para pobres disfuncional e um sistema para ricos escandaloso.

 

Como se cria então este mecanismo de compensação contributiva? Criando no BCE – Banco Central Europeu uma bolsa financeira para o efeito, ou seja, assegurar as reformas a cidadãos com mais de 65 anos, imprimindo moeda se necessário. Sempre que a receita dos descontos dos trabalhadores no ativo não fossem suficientes, o BCE colocava o valor em falta, havendo superavit recebia esse excedente para a referida bolsa contributiva. Este mecanismo a nível de todos os países da EU proporcionaria uma vida mais digna a quem está já numa fase da vida mais frágil.

 

E não esquecer ainda a geopolítica internacional conduzida, alimentada ou ignorada pelo ocidente, onde a Europa é ator principal. Uma geopolítica alicerçada mais uma vez nos mercados, no lucro, nos países “amigos” ou “inimigos” que interessam valorizar, proteger ou destabilizar. Alicerçada nas vendas, seja no que for, até das armas, que depois são utilizadas para nos agredir. Falamos muito, mas podíamos fazer muito mais. E nós, cidadãos europeus, temos que estar mais vigilantes, temos que ser mais interessados, mais exigentes e, já agora, temos de cultivar mais na prática a igualdade, a fraternidade e a solidariedade.

 

A Europa não pode criar um espaço onde a preocupação principal são números, défices, ajustamentos, economia de folha de excel, dando a ideia às pessoas que são números estatísticos. A Europa tem de se adaptar à diferença dos povos, integrá-los, dar-lhes perspectivas de vida através de empregos com dignidade. A precariedade laboral a que se assiste não tem sido boa para a população que facilmente se sente desprotegida, sem horizontes, sem nada a perder. Esta é uma barreira muito ténue que leva ao crime, à corrupção, à procura de ideologias distorcidas, a radicalismos religiosos, a movimentos políticos demagógicos e populistas.

 

Quando aproximarem a economia das pessoas, colocando-a ao seu serviço, as pessoas aproximar-se-ão cada vez mais da política. Uma economia partilhada, ao serviço de todos porque é de todos.

 

Rui Luzes Cabral

09 Janeiro 2015

15.02.14

NÃO QUERO MORRER…..

Rui Luzes Cabral

NÃO, NÃO ESTOU VELHO!!!!!!

 

NÃO SOU É SUFICIENTEMENTE NOVO  PARA  JÁ SABER TUDO!

 

Passaram 40 anos de um sonho chamado Abril. E lembro-me do texto de Jorge de Sena…. Não quero morrer sem ver a cor da liberdade. Passaram quatro décadas e de súbito os portugueses ficam a saber, em espanto, que são responsáveis de uma crise e que a têm que pagar…. civilizadamente,  ordenadamente, no respeito  das regras da democracia, com manifestações próprias das democracias e greves a que têm direito, mas demonstrando sempre o seu elevado espírito cívico, no sofrer e… calar.

 

Sou dos que acreditam na invenção desta crise. Um “directório” algures  decidiu que as classes médias estavam a viver acima da média. E de repente verificou-se que todos os países estão a dever dinheiro uns aos outros…. a dívida soberana entrou no nosso vocabulário e invadiu o dia a dia. Serviu para despedir, cortar salários, regalias/direitos do chamado Estado Social e o valor do trabalho foi diminuído, embora um nosso ministro tenha dito decerto por lapso, que “o trabalho liberta”, frase escrita no portão de entrada de Auschwitz.

 

Parece que  alguém anda à procura de uma solução que se espera não seja final. Os homens nascem com direito à felicidade e não apenas à estrita e restrita sobrevivência. Foi perante o espanto dos portugueses que os velhos ficaram com muito menos do seu contrato com o Estado  que se comprometia devolver o investimento de uma vida de trabalho. Mas, daqui a 20 anos isto resolve-se.

 

Agora, os velhos atónitos, repartem o dinheiro  entre os medicamentos e a comida. E ainda tem que dar para ajudar os filhos e netos num exercício de gestão impossível. A Igreja e tantas instituições de solidariedade fazem diariamente o milagre da multiplicação dos pães.

 

Morrem mais velhos em solidão, dão por eles pelo cheiro, os passes sociais impedem-nos de  sair de casa,  suicidam-se mais pessoas, mata-se mais dentro de casa, maridos, mulheres e filhos mancham-se  de sangue , 5% dos sem abrigo têm cursos superiores, consta que há cursos superiores  de geração espontânea, mas 81.000  licenciados estão desempregados. Milhares de alunos saem das universidades porque não têm como pagar as propinas, enquanto que muitos desistem de estudar para procurar trabalho. Há 200.000 novos emigrantes, e o filme “Gaiola Dourada”  faz um milhão de espectadores. Há terras do interior, sem centro de saúde, sem correios e sem finanças, e os festivais de verão estão cheios com bilhetes de centenas de euros. Há carros topo de gama para sortear e auto-estradas desertas. Na televisão a gente vê gente a fazer sexo explícito e explicitamente a revelar histórias de vida que exaltam a boçalidade. Há 50.000 trabalhadores rurais que abandonaram os campos, mas  há as grandes vitórias da venda de dívida pública a taxas muito mais altas do que outros países intervencionados. Há romances de ajustes de contas entre políticos e ex-políticos, mas tudo vai acabar em bem...estar para ambas as partes.

 

Aumentam as mortes por problemas respiratórios consequência de carências alimentares e higiénicas, há enfermeiros a partir entre lágrimas para Inglaterra e Alemanha para ganharem muito mais do que 3 euros à hora, há o romance do senhor Hollande e o enredo do senhor Obama que tudo tem feito para que o SNS americano seja mesmo para todos os americanos. Também ele tem um sonho…

Há a privatização de empresas portuguesas altamente lucrativas e outras que virão a ser lucrativas. Se são e podem vir a ser, porque é que se vendem?

E há a saída à irlandesa quando eu preferia uma…à francesa. Há muita gente a opinar, alguns escondidos com o rabo de fora. E aprendemos neologismos como “inconseguimento” e “irrevogável” que quer dizer exatamente o contrário do que está escrito no dicionário. Mas há os penalties escalpelizados na TV em câmara lenta, muito lenta e muito discutidos, e muita conversa, muita conversa e nós, distraídos. E agora, já quase todos sabemos que existiu um pintor chamado Miró, nem que seja por via bancária. Surrealista…

 

Mas há os meninos que têm que ir à escola nas férias para ter pequeno- almoço e almoço. E as mães que vão ao banco…. alimentar contra a fome, envergonhadamente , matar a fome dos seus meninos.

 

É por estes meninos com a esperança de dias melhores prometidos para daqui a 20 anos, pelos velhos sem mais 20 anos de esperança de vida e pelos quarentões com a desconfiança de que não mudarão de vida, que eu não quero morrer sem ver a cor de uma nova liberdade.

 

Júlio Isidro

 

21.01.14

"Consciência ecuménica, consciência baptismal"

Rui Luzes Cabral

1. A urgência do diálogo ecuménico nasceu, nos finais do séc. XIX, nas chamadas terras de missão, para vencer o contratestemunho das igrejas cristãs divididas que se hostilizavam no anúncio do Evangelho da paz. As vicissitudes do movimento ecuménico já foram historiadas.

 

Em 1948 foi fundado o Conselho Mundial das Igrejas, em Amesterdão, que tem a Sede internacional em Genebra. É a principal organização ecuménica, com mais de 350 igrejas e denominações, presente em mais de 120 países, excedendo os 500 milhões de fiéis. Trabalha-se, desde há algum tempo, na criação de um Fórum Cristão Global que reúna, sem vínculos institucionais, à volta de uma só mesa de diálogo, as grandes famílias cristãs: ortodoxa, católica, anglicana e protestante.

 

Resultado: esquece-se a falta que os outros nos fazem, para comungar em experiências que nos poderiam provocar a descoberta de caminhos para a fé cristã, que nem suspeitamos. A maioria dos cristãos nada sabe das outras tradições eclesiais, a não ser os lugares-comuns de desconfiança mútua, transmitidos em casa ou nas igrejas. A verdadeira falta de ecumenismo entre as igrejas cristãs é uma falta de cristianismo e não apenas de inconvenientes a propósito de baptismos e casamentos que se resolvem de forma mais ou menos burocrática.

 

Em certas zonas do mundo, o cenário é devastador: matam-se os cristãos sem perguntar pela identidade eclesial. O cristianismo está a ser completamente eliminado. É urgente um ecumenismo global de socorro.

 

2. Mais abrangente é o Parlamento Mundial das Religiões. Nasceu em Chicago, em 1893, para fomentar o diálogo inter-religioso. Cem anos depois, voltou a reunir-se na mesma cidade. A 4 de Setembro de 1993, foi assinada a Declaração das Religiões para uma Ética Global, preparada pelo teólogo Hans Küng, guiado pela convicção, que tem justificado e desenvolvido, condensada no aforismo: sem paz entre as religiões, não há paz entre as nações. Parte de uma verificação: o mundo está a experimentar uma crise fundamental e global: na economia, na ecologia e na política. Por toda a parte se verifica a falta de grandes visões, o emaranhado de problemas não resolvidos, a paralisação e as lideranças políticas medíocres, com pouca visão interna e externa e, em geral, muito pouco sentido do bem comum. Centenas de milhões de seres humanos sofrem cada vez mais com o desemprego, a fome e a destruição das suas famílias. Crianças morrem, matam e são mortas. Há cada vez mais países abalados pela corrupção na política e nos negócios. Devido aos conflitos sociais, raciais e étnicos, ao abuso de drogas, ao crime organizado e, até, à anarquia torna-se cada vez mais difícil viver em paz nas nossas cidades. Por vezes, mesmo entre vizinhos, vive-se com medo uns dos outros. O nosso Planeta continua a ser escandalosamente destruído. Embora a esperança de uma paz duradoura entre as nações nos pareça cada vez mais afastada, sabemos que não é por falta de recursos, de ciência e de técnica que se arrastam mundos mergulhados na miséria e na violência. É por falta de vontade política, de sabedoria e de ética.

 

3. O Movimento Ecuménico português já apresentou serviço: representantes das Igrejas Católica, Lusitana, Presbiteriana, Metodista e Ortodoxa, em Portugal, irão assinar, no próximo dia 25, em Lisboa, uma declaração de reconhecimento mútuo do baptismo. Ainda bem.

 

A Capela Sistina é conhecida, venerada e visitada pela sua extraordinária beleza. Aí reúnem-se os cardeais para escolher o futuro bispo de Roma, o papa. Mais importante do que eleger um papa é celebrar um baptismo, a transformação cristã da vida. O Papa Francisco resolveu estabelecer a verdadeira hierarquia no Vaticano. No domingo passado, baptizou o filho de uma mãe solteira e a filha de um casal, casado apenas pelo civil, nessa Capela. Não é muito usual. Perante varias mães, pais e 32 crianças, chamou a atenção para a nova orquestra: “Hoje o coro vai cantar, mas o coro mais belo é o das crianças. Algumas delas irão chorar porque têm fome ou porque não estão confortáveis. Estejam à vontade, mamãs: se elas tiverem fome, dêem-lhes de comer, aqui elas são as pessoas mais importantes”. Este Papa já tinha afirmado que as mães não deviam ter problemas em dar de mamar aos seus filhos, durante as cerimónias papais.

 

Bergoglio quer abrir ao mundo, um futuro novo, mesmo a partir do Vaticano. Quem não gosta das suas inovações, irá sempre encontrar algum precedente para desvalorizar estes atrevimentos. O que importa é subverter a desordem estabelecida, que se tinha transformado numa ordem sagrada.

 

O Papa mandou uma carta aos futuros cardeais: “O cardinalato não significa uma promoção nem uma honra nem uma condecoração, é simplesmente um serviço que exige ampliar o olhar e alargar o coração”.

 

Ai minha Nossa Senhora!

 

Um execlente texto de Frei Bento Domingues O.P. na sua crónica habitual. Jornal Público de 19 de Janeiro de 2014

14.01.14

"Papa baptiza filho de mãe solteira e filha de casal casado pelo civil"

Rui Luzes Cabral

O Papa Francisco baptizou neste domingo, no Vaticano, o filho de uma mulher solteira e a filha de um casal casado apenas civilmente, durante uma cerimónia na Capela Sistina.

 

Perante uma plateia de mães, pais e 32 crianças, Francisco quis deixar toda a gente à vontade, mesmo sendo o cenário tão solene como a capela onde são eleitos os Papas. “Hoje o coro vai cantar, mas o coro mais belo é o das crianças. Algumas delas quererão chorar porque têm fome ou porque não estão confortáveis. Estejam à vontade, mamãs: se elas tiverem fome, dêem-lhes de comer, porque elas são as pessoas mais importantes aqui”. Numa entrevista em Dezembro, Francisco já tinha afirmado que as mães não deviam ter problemas em dar de mamar aos seus filhos durante as cerimónias papais.

 

Estes baptismos são uma tradição no Vaticano e são geralmente organizados na Capela Sistina para os filhos dos empregados locais, mas este ano o Papa Francisco fez questão de receber outros bebés. Foi assim que um casal de militares italianos, que tinham estado numa audiência geral do Papa há alguns meses e lhe pediram para baptizar a sua filha, Giulia, viram o seu pedido aceite. O facto de não serem casados pela Igreja não impediu Francisco de baptizar a sua filha.

 

Francisco também convidou uma mãe solteira que, abandonada pelo seu companheiro quando estava grávida, chegou a colocar a possibilidade de fazer um aborto. Depois de desistir da ideia, escreveu uma carta ao Papa Francisco, pedindo-lhe para baptizar o seu filho.

“Vocês têm o dever de transmitir a fé a estas crianças. É a herança mais bela que lhes poderão deixar”, disse o Papa.

 

Novos cardeais em Fevereiro

 

Também neste domingo, o Papa Francisco anunciou que num consistório que vai realizar-se em Fevereiro, serão nomeados 19 novos cardeais, incluindo 16 cardeais eleitores (com menos de 80 anos).

 

Entre os 16 novos eleitores, que em caso de concave serão chamados a escolher um novo Papa, quatro serão italianos, incluindo o novo secretário de Estado do Vaticano, Pietro Parolin, dois serão europeus (um alemão e um britânico), seis americanos (Argentina, Chile, Brasil, Haiti, Nicarágua e Canadá), dois africanos (Costa do Marfim e Burkina Faso) e dois asiáticos (Coreia do Sul e Filipinas). Portugal conta actualmente com dois cardeais eleitores (D. José da Cruz Policarpo e D. Manuel Monteiro de Castro). A partir de 22 de Fevereiro, o conclave será formado por 122 cardeais eleitores.

 

Texto e Foto - Jornal Público, 12 de Janeiro de 2014

10.01.10

Projecto "Limpar Portugal"

Manuel Alberto Pereira

Há projectos que, pela sua natureza e objectivos, merecem ser apoiados e todos os cidadão atentos e preocupados com o presente e, principalmente, com o futuro das novas gerações, devem envolver-se e dar o seu contributo para que estes sejam um sucesso.

O Projecto Limpar Portugal é um desses projectos e, segundo se pode ler no site, esta iniciativa teve como base o projecto desenvolvido na Estónia em 2008, o qual motivou um grupo de amigos que decidiu colocar “Mãos à Obra” e propor “Vamos limpar a floresta portuguesa num só dia”.

Neste momento, o projecto já com cerca de mais de 17000 voluntários registados e já muitas pessoas acreditam que é possível juntar voluntários e parceiros, para que todos juntos possam, no dia 20 de Março de 2010, fazer algo de essencial por nós e pelo futuro dos nossos filhos.

Para facilitar a logística do projecto, têm sido organizados grupos em cada concelho e Oliveira de Azeméis conta com um que possui mais de 70 elementos voluntários.

Gostaria de lançar aqui o desafio para que consultassem a página do grupo de Oliveira de Azeméis e se inscrevessem para que o nosso concelho possa vir a ter um grande grupo neste importante projecto que é Vamos Limpar Portugal.

Para terminar, cá fica o repto do projecto:

“Limpar Portugal? Nós vamos fazê-lo! E tu? Vais ficar em casa?"

23.04.09

Um novo e maior de todos os “apocalipses”

Rui Luzes Cabral

 

Cartoon: Público (P2), 18 de Abril de 2009

A sociedade actual assenta economicamente no consumo. Se não se comparem carros, televisões, computadores, calçado, roupa, cremes, preservativos, bicicletas, livros, carne, está tudo “estragado”. Se não se for de férias, se não formos a restaurantes, a hotéis, cafés, todos “berram” e é um “ai jesus” colectivo porque pouco se vende. Para quando um sistema assente noutro paradigma, em que os pressupostos sejam outros. Aqui há uns anos, é sabido, a dependência não era tão grande do consumo mas com o aumento daquilo a que alguns chamam qualidade de vida, as coisas têm-se deteriorado quando há uma crise à vista, logo redução do consumo.

 
Não haverá outra forma de subirmos no degrau civilizacional para outro patamar? Algo terá que se passar muito em breve pois a redução do consumo afecta sempre quase sempre os mesmos, os pobres, e protege os mais abastados ou se não protege, não os afecta muito. É diferente perder 5.000 euros a quem tem 10.000 ou a quem tem 250.000.
Os políticos se não souberem compreender os novos sinais, ou seja, a ânsia dos pobres, remediados e os da classe média baixa de um “novo mundo” mais equitativo e justo, mergulharão mais cedo ou mais tarde na irrelevância e poderemos estar próximos de um novo e maior de todos os “apocalipses”.

 

20.02.09

Maior Equidade Social e Fiscal

Rui Luzes Cabral

O PSD veio esta semana, e muito bem, propor uma “conta corrente envolvendo, de um lado, todos os impostos e contribuições para a segurança social, do outro, os créditos sobre o Estado, como as devoluções do IVA. Conta a movimentar (acerto de contas) todos os finais de cada mês” Público, 18 Fevereiro, pág. 2. Eu concordo na íntegra com esta medida e a 31 de Outubro de 2008 já tinha alertado aqui no lavoura para este problema. Esperemos que o Governo aproveite esta contribuição e a passe a lei.

 

Também recentemente Fernando Ruas (presidente da CM de Viseu e presidente da Associação Nacional dos Municípios Portugueses) elogiou o PRED – Programa de Regularização Extraordinária de Dívidas do Estado, programa que ajuda as autarquias e outros órgãos estatais a pagar a fornecedores e empreiteiros. Tudo o que for para ajudar quem trabalha é bem-vindo. Aliás é uma obrigação do Estado encontrar formas para uma boa gestão e uma maior equidade fiscal e social.
14.01.09

Campanha de Solidariedade para com o Ivo

Rui Luzes Cabral

O Ivo é um jovem de 18 anos que estuda na Escola Secundária de Santa Maria da Feira, no 12º Ano. Sofreu um grave acidente no período de férias, tendo ficado paraplégico. Os amigos têm como objectivo proporcionar-lhe tratamentos específicos de formação cubana, para que tenha de futuro uma vida mais autónoma. Para isso, precisamos da ajuda de todos. Contribui e divulga este caso, pois hoje foi ao Ivo e amanhã poderá ser a um de nós.
 
Bem-haja!
 
NIB: 003507220000372190033
N.º Conta: 0722003721900 (CGD)
Site: http://campanhadesolidariedade.hi5.com
Contactos: 913465497 / 919593381

 

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