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Este blog é um espaço de debate e partilha de opiniões. Não te esqueças que o sustento do Homem provém da lavoura. Lança a semente, cultiva-a, ela te saciará...

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08.12.15

Novas figuras do Advento

Rui Luzes Cabral

Frei Bento Domingues O.P..jpg

1. Segundo um conto judaico, um rabino fez a Deus o seguinte pedido: ”Deixa-me ir dar uma vista de olhos pelo céu e pelo inferno.” O pedido foi aceite e Deus enviou-lhe o profeta Elias, como guia.

O profeta levou o rabino a uma grande sala. No centro ardia um fogo que aquecia uma panela enorme, com um guisado que enchia o espaço com o seu aroma.

À volta deste apetitoso manjar estava reunida uma multidão com uma grande colher na mão. Apesar disso, viam-se as pessoas esfomeadas, macilentas, sem forças, a cair.

As colheres eram mais compridas do que os seus braços, de tal modo que não as conseguiam levar à boca. Tristes, desejosas e em silêncio, de olhar perdido.

O rabino, espantado e comovido, pediu para sair desse lugar espetral. De inferno já tinha visto o suficiente.

O profeta levou-o então a outra sala. Ou talvez fosse a mesma. Tudo parecia exactamente igual: a panela ao lume, com apetitosas iguarias, a gente à volta com grandes colheres na mão. Via-se que estavam todas a comer com gosto, alegres, com saúde, cheias de vida. A conversa e as gargalhadas enchiam a sala. Isto tinha que ser o paraíso! Mas, como é que tinham conseguido uma tal transformação?

As pessoas tinham-se voltado umas para as outras e usavam a enorme colher para levar comida a quem estava à sua frente, procurando que a outra ficasse satisfeita e assim acabavam por ficar todas bem!

2. Foi notícia a festa de arromba que um empresário ofereceu, em Loures, para celebrar os 15 anos da sua filha. Transportada antes em limousine e depois, em helicóptero, a partir de Algés. A brincadeira terá ultrapassado os duzentos mil euros. Apesar de tudo muito mais barata do que o jacto de Ronaldo. Não se pode dizer que vivem acima das suas possibilidades. A propriedade privada é sagrada.

John Magufuli, de 56 anos, Presidente da Tanzânia desde 5 de Novembro, já anda na boca das pessoas. É conhecido por Bulldozer pelas mudanças radicais que introduziu no país.

Pela primeira vez em 54 anos, a Tanzânia não vai celebrar oficialmente o dia da Independência, porque Magufuli defende ser “vergonhoso” gastar rios de dinheiro nas celebrações quando o nosso povo está a morrer de cólera. Só nos últimos três meses vitimou, pelo menos, 60 pessoas. Acabaram-se as viagens dos governantes ao estrangeiro. As embaixadas deverão tratar dos assuntos que lhes competem. Se for necessário viajar, terá de pedir uma licença especial ao Presidente ou ao seu Chefe de Gabinete. Em 1ª classe e executiva só o Presidente, o Vice-Presidente e o Primeiro-Ministro. Acabaram-se os workshops e seminários em hotéis caros, quando há tantas salas de ministérios vazias.

O Presidente Magufuli perguntou por que motivo os engenheiros recebem modelos de carro topo de gama, se as carrinhas são mais práticas para o seu trabalho. Acabaram-se os subsídios. Por que motivo são pagos subsídios se vocês recebem salários; aplicável também aos parlamentares. Todos os indivíduos, ou empresas, que tenham comprado empresas do Estado, que foram privatizadas, mas não fizeram nada com elas, passados 20 anos, ou as fazem recuperar imediatamente ou devem-nas devolver.

John Magufuli cortou o orçamento da inauguração do novo Parlamento. De 100 mil dólares passou para 7 mil.

3. Tem um precedente na América Latina, José Mujica. O ex-guerrilheiro, conhecido como o presidente mais pobre do mundo devido ao seu estilo de vida, deixou o poder a 1 de Março.

Uma chácara, nos arredores de Montevideu, um VW Carocha de 1987 e três tractores. Esta é toda a riqueza do presidente do Uruguai,  avaliada em menos de 170 mil euros. Pode parecer pouco para um chefe de Estado, mas para Pepe, que doa 90% do seu salário anual, dez mil euros, para caridade, é mais do que suficiente. É por isso que ficou conhecido como o presidente mais pobre do mundo.

Mujica continua como sempre. Em algumas entrevistas, declarou: "não sou pobre, sou sóbrio, com pouca bagagem, vivo com o suficiente para que as coisas não me roubem a liberdade"; por outro lado, "tu, com o teu dinheiro, não podes ir a um supermercado e dizer: venda-me mais cinco anos de vida. Não podes. Não é uma mercadoria, então não a devemos gastar mal. Temos de a usar e gastar com as coisas que nos motivam a viver." À CNN disse: "temos de viver como vive a maioria, não como vive a minoria", lembrando que "o presidente é um funcionário que foi eleito pelas pessoas para um momento e uma etapa" e que "ninguém é melhor do que ninguém". “A política é a luta pela felicidade de todos".

Entre estas palavras e a sua existência quotidiana não há distâncias.

Vive com a mulher de há 40 anos, a senadora Lucía Topolansky, na casa de uma assoalhada, onde também costuma receber os jornalistas. Ao lado da roupa estendida e da horta que cultiva, é vegetariano, no meio das galinhas e junto à cadela Manuela, que só tem três patas. Não é esquisito no vestir e nem para ir à Casa Branca usou gravata, que considera "um trapo inútil".

Estamos no Advento. Uns dizem que o melhor está para vir, mas adiam a felicidade para o fim dos tempos. Outros repetem as figuras que anunciaram a vinda do Messias. Porque não abrir os olhos para as figuras que vivem hoje e abrem novos caminhos de Esperança?

 

Frei Bento Domingues O. P.

Jornal Público 06 de Dezembro de 2015

http://www.publico.pt/sociedade/noticia/novas-figuras-do-advento-1716405?page=-1

 

21.01.14

"Consciência ecuménica, consciência baptismal"

Rui Luzes Cabral

1. A urgência do diálogo ecuménico nasceu, nos finais do séc. XIX, nas chamadas terras de missão, para vencer o contratestemunho das igrejas cristãs divididas que se hostilizavam no anúncio do Evangelho da paz. As vicissitudes do movimento ecuménico já foram historiadas.

 

Em 1948 foi fundado o Conselho Mundial das Igrejas, em Amesterdão, que tem a Sede internacional em Genebra. É a principal organização ecuménica, com mais de 350 igrejas e denominações, presente em mais de 120 países, excedendo os 500 milhões de fiéis. Trabalha-se, desde há algum tempo, na criação de um Fórum Cristão Global que reúna, sem vínculos institucionais, à volta de uma só mesa de diálogo, as grandes famílias cristãs: ortodoxa, católica, anglicana e protestante.

 

Resultado: esquece-se a falta que os outros nos fazem, para comungar em experiências que nos poderiam provocar a descoberta de caminhos para a fé cristã, que nem suspeitamos. A maioria dos cristãos nada sabe das outras tradições eclesiais, a não ser os lugares-comuns de desconfiança mútua, transmitidos em casa ou nas igrejas. A verdadeira falta de ecumenismo entre as igrejas cristãs é uma falta de cristianismo e não apenas de inconvenientes a propósito de baptismos e casamentos que se resolvem de forma mais ou menos burocrática.

 

Em certas zonas do mundo, o cenário é devastador: matam-se os cristãos sem perguntar pela identidade eclesial. O cristianismo está a ser completamente eliminado. É urgente um ecumenismo global de socorro.

 

2. Mais abrangente é o Parlamento Mundial das Religiões. Nasceu em Chicago, em 1893, para fomentar o diálogo inter-religioso. Cem anos depois, voltou a reunir-se na mesma cidade. A 4 de Setembro de 1993, foi assinada a Declaração das Religiões para uma Ética Global, preparada pelo teólogo Hans Küng, guiado pela convicção, que tem justificado e desenvolvido, condensada no aforismo: sem paz entre as religiões, não há paz entre as nações. Parte de uma verificação: o mundo está a experimentar uma crise fundamental e global: na economia, na ecologia e na política. Por toda a parte se verifica a falta de grandes visões, o emaranhado de problemas não resolvidos, a paralisação e as lideranças políticas medíocres, com pouca visão interna e externa e, em geral, muito pouco sentido do bem comum. Centenas de milhões de seres humanos sofrem cada vez mais com o desemprego, a fome e a destruição das suas famílias. Crianças morrem, matam e são mortas. Há cada vez mais países abalados pela corrupção na política e nos negócios. Devido aos conflitos sociais, raciais e étnicos, ao abuso de drogas, ao crime organizado e, até, à anarquia torna-se cada vez mais difícil viver em paz nas nossas cidades. Por vezes, mesmo entre vizinhos, vive-se com medo uns dos outros. O nosso Planeta continua a ser escandalosamente destruído. Embora a esperança de uma paz duradoura entre as nações nos pareça cada vez mais afastada, sabemos que não é por falta de recursos, de ciência e de técnica que se arrastam mundos mergulhados na miséria e na violência. É por falta de vontade política, de sabedoria e de ética.

 

3. O Movimento Ecuménico português já apresentou serviço: representantes das Igrejas Católica, Lusitana, Presbiteriana, Metodista e Ortodoxa, em Portugal, irão assinar, no próximo dia 25, em Lisboa, uma declaração de reconhecimento mútuo do baptismo. Ainda bem.

 

A Capela Sistina é conhecida, venerada e visitada pela sua extraordinária beleza. Aí reúnem-se os cardeais para escolher o futuro bispo de Roma, o papa. Mais importante do que eleger um papa é celebrar um baptismo, a transformação cristã da vida. O Papa Francisco resolveu estabelecer a verdadeira hierarquia no Vaticano. No domingo passado, baptizou o filho de uma mãe solteira e a filha de um casal, casado apenas pelo civil, nessa Capela. Não é muito usual. Perante varias mães, pais e 32 crianças, chamou a atenção para a nova orquestra: “Hoje o coro vai cantar, mas o coro mais belo é o das crianças. Algumas delas irão chorar porque têm fome ou porque não estão confortáveis. Estejam à vontade, mamãs: se elas tiverem fome, dêem-lhes de comer, aqui elas são as pessoas mais importantes”. Este Papa já tinha afirmado que as mães não deviam ter problemas em dar de mamar aos seus filhos, durante as cerimónias papais.

 

Bergoglio quer abrir ao mundo, um futuro novo, mesmo a partir do Vaticano. Quem não gosta das suas inovações, irá sempre encontrar algum precedente para desvalorizar estes atrevimentos. O que importa é subverter a desordem estabelecida, que se tinha transformado numa ordem sagrada.

 

O Papa mandou uma carta aos futuros cardeais: “O cardinalato não significa uma promoção nem uma honra nem uma condecoração, é simplesmente um serviço que exige ampliar o olhar e alargar o coração”.

 

Ai minha Nossa Senhora!

 

Um execlente texto de Frei Bento Domingues O.P. na sua crónica habitual. Jornal Público de 19 de Janeiro de 2014

14.01.14

"Papa baptiza filho de mãe solteira e filha de casal casado pelo civil"

Rui Luzes Cabral

O Papa Francisco baptizou neste domingo, no Vaticano, o filho de uma mulher solteira e a filha de um casal casado apenas civilmente, durante uma cerimónia na Capela Sistina.

 

Perante uma plateia de mães, pais e 32 crianças, Francisco quis deixar toda a gente à vontade, mesmo sendo o cenário tão solene como a capela onde são eleitos os Papas. “Hoje o coro vai cantar, mas o coro mais belo é o das crianças. Algumas delas quererão chorar porque têm fome ou porque não estão confortáveis. Estejam à vontade, mamãs: se elas tiverem fome, dêem-lhes de comer, porque elas são as pessoas mais importantes aqui”. Numa entrevista em Dezembro, Francisco já tinha afirmado que as mães não deviam ter problemas em dar de mamar aos seus filhos durante as cerimónias papais.

 

Estes baptismos são uma tradição no Vaticano e são geralmente organizados na Capela Sistina para os filhos dos empregados locais, mas este ano o Papa Francisco fez questão de receber outros bebés. Foi assim que um casal de militares italianos, que tinham estado numa audiência geral do Papa há alguns meses e lhe pediram para baptizar a sua filha, Giulia, viram o seu pedido aceite. O facto de não serem casados pela Igreja não impediu Francisco de baptizar a sua filha.

 

Francisco também convidou uma mãe solteira que, abandonada pelo seu companheiro quando estava grávida, chegou a colocar a possibilidade de fazer um aborto. Depois de desistir da ideia, escreveu uma carta ao Papa Francisco, pedindo-lhe para baptizar o seu filho.

“Vocês têm o dever de transmitir a fé a estas crianças. É a herança mais bela que lhes poderão deixar”, disse o Papa.

 

Novos cardeais em Fevereiro

 

Também neste domingo, o Papa Francisco anunciou que num consistório que vai realizar-se em Fevereiro, serão nomeados 19 novos cardeais, incluindo 16 cardeais eleitores (com menos de 80 anos).

 

Entre os 16 novos eleitores, que em caso de concave serão chamados a escolher um novo Papa, quatro serão italianos, incluindo o novo secretário de Estado do Vaticano, Pietro Parolin, dois serão europeus (um alemão e um britânico), seis americanos (Argentina, Chile, Brasil, Haiti, Nicarágua e Canadá), dois africanos (Costa do Marfim e Burkina Faso) e dois asiáticos (Coreia do Sul e Filipinas). Portugal conta actualmente com dois cardeais eleitores (D. José da Cruz Policarpo e D. Manuel Monteiro de Castro). A partir de 22 de Fevereiro, o conclave será formado por 122 cardeais eleitores.

 

Texto e Foto - Jornal Público, 12 de Janeiro de 2014

29.10.09

Não tem dúvidas?

Rui Luzes Cabral

 

Extracto de uma entrevista dada por José Saramago ao DN, 25 de Outubro, pág. 3
Não ter “qualquer espécie de dúvida” sobre a não existência de Deus, não é, de facto, um acto de humidade e concórdia para quem tanto fala em paz entre os homens.
Quanto à escravidão do Homem, ela há para todos os gostos. Parece-me que a vaidade, o dinheiro, o poder e a fama é que têm escravizado o Homem. Se o problema do Mundo fosse esse, (da nossa submissão a Deus, sem que isso acarretasse discórdia, guerra e ódio), estaríamos bem melhor. Agora, não queiramos transformar Deus no carrasco da infelicidade Humana, quando as causas estão muito mais próximas de nós e, por vezes, de resolução atingível.
Para que comemos nós do fruto proibido? (Atenção que estou a utilizar linguagem metafórica)
22.10.09

As palavras de José Saramago não me chocam

Rui Luzes Cabral

Não sei porque é que se está a criar tanta polémica em torno das palavras de José Saramago sobre a Bíblia, na apresentação do seu mais recente livro “Caim”, em Penafiel.

 

Eu, que sou católico praticante, entendo as suas palavras à luz do seu ateísmo, assim como entendo as palavras de muitos católicos quando falam sem saber sobre o islamismo, o judaísmo ou outra qualquer religião.
Eu sei que muitos católicos se riem quando vêm o gesticular das orações islâmicas ou as práticas judaicas, já para não falar do que é “sagrado” para os hindus.
A Igreja Católica Portuguesa, se tivesse reagido de outra forma, desvalorizando as palavras e, enquadrando-as ao pensamento do autor, tanto pessoal como literário, a polémica morria à nascença.
Ainda bem que agora os ateus podem falar. Ainda bem que os crentes se podem indignar. E vice-versa. É sinal que o Homem está mais adulto.

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