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Este blog é um espaço de debate e partilha de opiniões. Não te esqueças que o sustento do Homem provém da lavoura. Lança a semente, cultiva-a, ela te saciará...

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01.03.15

Presidenciais

Rui Luzes Cabral

Presidenciais.JPG

 

A - António Guterres é o meu candidato favorito para se candidatar a Presidente da República nas próximas eleições. É óbvio que também o gostaria de ver como Secretário-Geral da ONU. Uma pessoa boa e séria como ele é tem sempre perfil para estes cargos…

B - Por outro lado, confesso que, independentemente das capacidades profissionais de António Vitorino não lhe reconheço grandes méritos políticos, apesar  de ter passado de forma muito rápida pela política. Dentro ou fora do exercício de cargos públicos em Portugal como Ministro ou na Europa como Comissário, sempre no seu discurso deixou transparecer que não é a política o seu grande amor e que o mundo da gestão privada e da advocacia são mais rentáveis para ele. Espero que ele escolha o que o realiza mais…

C - Na impossibilidade de António Guterres, quem estava no passado recente mais bem colocado para o cargo na área socialista era António Costa, mas agora também não pode ser pois teve de se candidatar a Secretário-Geral do Partido e assim ser candidato a Primeiro-Ministro. É que com António José Seguro as sondagens não descolavam…

D – Neste momento são vários os nomes lançados à esquerda para se ver a reação dos eleitores, nomes de figuras secundárias da vida política, facto que leva a que o vencedor possa não ser aquele que o Partido Socialista apoie.

E – Eu como gosto de pensar pela minha cabeça e já votei em nomes que o PS não apoiou estou à vontade nesta matéria.

F – Apresentem-se os candidatos que eu farei a minha reflexão…

21.02.14

"Fomos invadidos por uma espécie de vampiros", diz Eduardo Lourenço

Rui Luzes Cabral

O ensaísta Eduardo Lourenço disse hoje que houve uma invasão por "uma espécie de vampiros", que são quem controla o sistema inventado pela modernidade, vivendo-se agora um "apocalipse indirecto" em "estado de guerra permanente".

 

Durante a primeira mesa da 15.ª edição do Correntes d'Escritas, na Póvoa de Varzim, sob o título "Pensamentos não são correntes de ninguém", Eduardo Lourenço disse: "Dá a impressão de que, de repente, fomos invadidos, não por uns castelhanos arcaicos nossos vizinhos e que são nossos irmãos e primos, mas por uma espécie de vampiros como aqueles que o cinema de Hollywood ilustra. Não é por acaso que o tema dos vampiros se tornou um tema da moda, os vampiros são emissários da morte, é como se estivéssemos a viver uma espécie de apocalipse indirecto".

 

O autor, que disse não acreditar que o tempo desta "espécie de submissão mansa" vá perdurar, ressalvou não querer contribuir para algo como uma "depressão de segundo grau, por conta dos outros".

 

"Não sei se é um comportamento muito português dormir em cima daquilo que nos ameaça profundamente e nos põe problemas que não podemos resolver esperando que, com o tempo, com um pouco de sorte, acabemos por sair desta espécie de atoleiro em que estamos mergulhados", acrescentou.

 

"Os vampiros não são tão vampiros como isso, são pessoas reais. São as pessoas que controlam o sistema que a modernidade foi inventando pouco a pouco, com os seus novos meios de produção, que aumentaram efectivamente de maneira fantástica a possibilidade que os homens têm de aceder a um certo número de coisas que são importantes", disse Eduardo Lourenço, já em resposta a questões do público.

 

O autor declarou que a televisão é hoje "o objecto mais importante", tendo o "espaço público desaparecido", o que deu origem a um momento em que "tudo se passa na televisão, as intervenções dos comentadores na televisão são mais importantes do que a realidade".

Eduardo Lourenço lamentou que a política já não seja uma "política real".

 

"Passámos [...] para um tempo em que aparentemente as guerras já não têm lugar ou são guerras de uma outra espécie, são quase guerras virtuais como se fossem cinema puro, embora os mortos não sejam cinema nenhum. Passámos para um tempo em que estamos - não parece à primeira vista - num mundo em estado de guerra permanente no interior do sistema, não há nenhuma grande produção que não esteja em guerra com uma outra ao lado", afirmou o vencedor do prémio Camões de 1996.

 

Eduardo Lourenço disse ainda não pensar nada sobre o futuro, uma vez que "se pensasse no futuro era o dono do futuro".

Assim, o ensaísta, que constatou saber o que é estar "à beira do abismo" por estar próximo do seu próprio, apelou a que se tenha paciência, antes de entrar "enfim na terra da promissão".

 

A 15.ª edição do festival literário Correntes d'Escritas decorre entre hoje e sábado.

 

Lusa/SOL

27.06.10

CRISE?...

Rui Luzes Cabral

De acordo com o site da Agência financeira “O número de milionários aumentou em Portugal, que seguiu a tendência mundial, mesmo em ano de crise e recessão, revela um estudo mundial feito todos os anos realizado pela Cap Gemini e pela Merrill Lynch e relativo a 2009. De acordo com este estudo, há 11 mil pessoas com uma fortuna acima de um milhão de dólares, ou seja, mais de 800 mil euros. Significa que há mais 5,5% que em 2008, ano em que foram contabilizadas menos de 10.500 fortunas desta dimensão, noticia a «TSF».

 

A subida da Bolsa de Lisboa, que ganhou 33,5 por cento num ano, o aumento dos preços do imobiliário e a forte descida das taxas de juro são alguns dos factores que contribuíram para o aumento dos milionários em Portugal.

 

Dos 10 milhões de fortunas acima de um milhão de dólares, três milhões encontram-se nos EUA, país que tem o mais número de milionários.

De referir que, para as duas consultoras responsáveis por este estudo, um milionário tem de ter activos líquidos no valor de um milhão de dólares, que não pode incluir a residência principal e os bens consumíveis.”

 

Veja o vídeo da notícia aqui

05.02.10

Ditados populares

Manuel Alberto Pereira

Todos gostamos de recorrer aos ditados populares para "dizer muito" com poucas palavras.

Aproveitando o facto de um amigo me ter remetido os "velhos" ditados populares portugueses, através do "moderno" email, achei que nunca é demais partilhar convosco a "genuina e ancestral sabedoria" do povo.

Se reflectirmos sobre cada um deles, é fácil concluir que apesar das aparentes "modernices", tudo o que nos rodeia há muito que foi "visto" e "pensado".

Desculpem a "ousadia" (e não sei se estão cá todos), mas "usem e abusem" que a fartura é muita!

A ambição cerra o coração
A pressa é inimiga da perfeição
Águas passadas não movem moinhos
Amigo não empata amigo
Amigos amigos negócios à parte
Água mole em pedra dura, tanto dá até que fura
A união faz a força
A ocasião faz o ladrão
A ignorância é a mãe de todas as doenças
Amigos dos meus amigos, meus amigos são
A cavalo dado não se olha a dente
Azeite de cima, mel do meio e vinho do fundo, não enganam o mundo
Antes só do que mal acompanhado
A pobre não prometas e a rico não devas.
A mulher e a sardinha, querem-se da mais pequenina
A galinha que canta como galo corta-lhe o gargalo
A boda e a baptizado, não vás sem ser convidado
A galinha do vizinho é sempre melhor que a minha
A laranja de manhã é ouro, à tarde é prata e à noite mata
A necessidade aguça o engenho
A noite é boa conselheira
A ocasião faz o ladrão
A preguiça é mãe de todos os vícios
A palavra é de prata e o silêncio é de ouro
A palavras (ocas|loucas) orelhas moucas
A pensar morreu um burro
A roupa suja lava-se em casa
Antes só que mal acompanhado
Antes tarde do que nunca
Ao rico mil amigos se deparam, ao pobre seus irmãos o desamparam
Ao rico não faltes, ao pobre não prometas
As palavras voam, a escrita fica
As (palavras ou conversa ...) são como as cerejas, vêm umas atrás das outras
Até ao lavar dos cestos é vindima
Água e vento são meio sustento
Águas passadas não movem moinhos
Boi velho gosta de erva tenra
Boca que apetece, coração que padece
Baleias no canal, terás temporal
Boa fama granjeia quem não diz mal da vida alheia
Boa romaria faz, quem em casa fica em paz
Boda molhada, boda abençoada
Burro velho não aprende línguas
Burro velho não tem andadura e se tem pouco dura
Cada cabeça sua sentença
Chuva de São João, tira vinho e não dá pão
Casa roubada, trancas à porta
Casarás e amansarás
Criou a fama, deite-se na cama
Cada qual com seu igual
Cada ovelha com sua parelha
Cada macaco no seu galho
Casa de ferreiro, espeto de pau
Casamento, apartamento
Cada qual é para o que nasce
Cão que ladra não morde
Cada qual sabe onde lhe aperta o sapato
Com vinagre não se apanham moscas
Coma para viver, não viva para comer
Com o direito do teu lado nunca receies dar brado
Candeia que vai à frente alumia duas vezes
Casa de esquina, ou morte ou ruína
Cada panela tem a sua tampa
Cada um sabe as linhas com se cose
Cada um sabe de si e Deus sabe de todos
Casa onde entra o sol não entra o médico
Cautela e caldos de galinha nunca fizeram mal a ninguém
Cesteiro que faz um cesto faz um cento,se lhe derem verga e tempo
Com a verdade me enganas
Com papas e bolos se enganam os tolos
Comer e o coçar o mal é começar
Devagar se vai ao longe
Depois de fartos, não faltam pratos
De noite todos os gatos são pardos
Desconfia do homem que não fala e do cão que não ladra
De Espanha nem bom vento nem bom casamento
De pequenino se torce o pepino
De grão a grão enche a galinha o paparrão
Devagar se vai ao longe
De médico e de louco, todos temos um pouco
Diz-me com quem andas, dir-te-ei quem és
Diz o roto ao nu 'Porque não te vestes tu?'
Depressa e bem não há quem
Deitar cedo e cedo erguer, dá saúde e faz crescer
Depois da tempestade vem a bonança
Da mão à boca vai-se a sopa
Deus ajuda, quem cedo madruga
Dos fracos não reza a história
Em casa de ferreiro, espeto de pau
Enquanto há vida, há esperança
Entre marido e mulher, não se mete a colher
Em terra de cego quem tem olho é rei
Erva daninha a geada não mata
Em casa onde não há pão, todos ralham e ninguém tem razão
Em tempo de guerra não se limpam armas
Falar é prata, calar é ouro
Filho de peixe, sabe nadar
Gaivotas em terra, tempestade no mar
Guardado está o bocado para quem o há de comer
Galinha de campo não quer capoeira
Gato escaldado de água fria tem medo
Guarda o que comer, não guardes o que fazer
Homem prevenido vale por dois
Há males que vêm por bem
Homem pequenino ou velhaco ou dançarino
Ignorante é aquele que sabe e se faz de tonto
Junta-te aos bons, serás como eles, junta-te aos maus, serás pior do que eles
Lua deitada, marinheiro de pé
Lua nova trovejada, 30 dias é molhada
Ladrão que rouba a ladrão, tem cem anos de perdão
Longe da vista, longe do coração
Mais vale um pássaro na mão, do que dois a voar
Mal por mal, antes na cadeia do que no hospital
Manda quem pode, obedece quem deve
Mãos frias, coração quente
Mais vale ser rabo de pescada que cabeça de sardinha
Mais vale cair em graça do que ser engraçado
Mais depressa se apanha um mentiroso que um coxo
Mais vale perder um minuto na vida do que a vida num minuto
Madruga e verás trabalha e terás
Mais vale um pé no travão que dois no caixão
Mais vale uma palavra antes que duas depois
Mais vale prevenir que remediar
Morreu o bicho, acabou-se a peçonha
Muita parra pouca uva
Muito alcança quem não se cansa
Muito come o tolo mas mais tolo é quem lhe dá
Muito riso pouco siso
Muitos cozinheiros estragam a sopa
Não há mal que sempre dure, nem bem que não se acabe
Nuvem baixa sol que racha
Não peças a quem pediu nem sirvas a quem serviu
Nem tudo o que reluz é ouro
Não há bela sem senão
Nem tanto ao mar nem tanto à terra
Não há fome que não dê em fartura
Não vendas a pele do urso antes de o matar
Não há duas sem três
No meio é que está a virtude
No melhor pano cai a nódoa
Nem contas com parentes nem dívidas com ausentes
Nem oito nem oitenta
Nem tudo o que vem à rede é peixe
No aperto e no perigo se conhece o amigo
No poupar é que está o ganho
Não dá quem tem, dá quem quer bem
Não há sábado sem sol, domingo sem missa nem segunda sem preguiça
O saber não ocupa lugar
Os cães ladram e caravana passa
O seguro morreu de velho
O prometido é devido
O que arde cura o que coça sara e o que aperta segura
O segredo é a alma do negócio
O bom filho à casa retorna
O casamento e a mortalha no céu se talha
O futuro a Deus pertence
O homem põe e Deus dispõe
O que não tem remédio remediado está
O saber não ocupa lugar
O seguro morreu de velho
O seu a seu dono
O sol quando nasce é para todos
O óptimo é inimigo do bom
Os amigos são para as ocasiões
Os opostos atraem-se
Os homens não se medem aos palmos
Para frente é que se anda
Pau que nasce torto jamais se endireita
Pedra que rola não cria limo
Para bom entendedor meia palavra basta
Por fora bela viola, por dentro pão bolorento
Para baixo todos os santos ajudam
Por morrer uma andorinha não acaba a primavera
Patrão fora, dia santo na loja
Para grandes males, grandes remédios
Preso por ter cão, preso por não ter
Paga o justo pelo pecador
Para morrer basta estar vivo
Para quem é, bacalhau basta
Passarinhos e pardais,não são todos iguais
Peixe não puxa carroça
Pela boca morre o peixe
Perde-se o velho por não poder e o novo por não saber
Pimenta no cu dos outros para mim é refresco
Presunção e água benta, cada qual toma a que quer
Quando a esmola é grande o santo desconfia
Quem espera sempre alcança
Quando um não quer, dois não discutem
Quem tem telhados de vidro não atira pedras
Quem vai à guerra dá e leva
Quem parte e reparte e não fica com a melhor parte, ou é tolo ou não tem arte
Quem sai aos seus não degenera
Quem vai ao ar perde o lugar e quem vai ao vento perde o assento
Quem semeia ventos colhe tempestades
Quem vê caras não vê corações
Quem não aparece, esquece; mas quem muito aparece, tanto lembra que aborrece
Quem casa quer casa
Quem come e guarda, duas vezes põe a mesa
Quem com ferros mata, com ferros morre
Quem corre por gosto não cansa
Quem muito fala pouco acerta
Quem quer festa, sua-lhe a testa
Quem dá e torna a tirar ao inferno vai parar
Quem dá aos pobres empresta a Deus
Quem cala consente
Quem mais jura é quem mais mente
Quem não tem cão, caça com gato
Quem diz as verdades, perde as amizades
Quem se mete em atalhos não se livra de trabalhos
Quem não deve não teme
Quem avisa amigo é
Quem ri por último ri melhor
Quando um burro fala, o outro abaixa a orelha
Quanto mais te agachas, mais te põem o pé em cima
Quem conta um conto acrescenta-lhe um ponto
Quem diz o que quer, ouve o que não quer
Quem não chora não mama
Quem desdenha quer comprar
Quem canta seus males espanta
Quem feio ama, bonito lhe parece
Quem não arrisca não petisca
Quem tem boca vai a Roma
Quando o mar bate na rocha quem se lixa é o mexilhão
Quando um cai todos o pisam
Quanto mais depressa mais devagar
Quem entra na chuva é pra se molhar
Quem boa cama fizer nela se deitará
Quem brinca com o fogo queima-se
Quem cala consente
Quem canta seus males espanta
Quem comeu a carne que roa os ossos
Quem está no convento é que sabe o que lhe vai dentro
Quem muito escolhe pouco acerta
Quem nada não se afoga
Quem nasceu para a forca não morre afogado
Quem não quer ser lobo não lhe vista a pele
Quem não sabe é como quem não vê
Quem não tem dinheiro não tem vícios
Quem não tem panos não arma tendas
Quem não trabuca não manduca
Quem o alheio veste, na praça o despe
Quem o seu cão quer matar chama-lhe raivoso
Quem paga adiantado é mal servido
Quem parte velho paga novo
Quem sabe faz, quem não sabe ensina
Quem tarde vier comerá do que trouxer
Quem te cobre que te descubra
Quem tem burro e anda a pé mais burro é
Quem tem capa sempre escapa
Quem tem cem mas deve cem pouco tem
Quem nasce torto, tarde ou nunca se endireita
Quem tudo quer tudo perde
Quem vai ao mar avia-se em terra
Quem é vivo sempre aparece
Querer é poder
Recordar é viver
Roma e Pavia não se fez em um dia
Rei morto, rei posto
Se em terra entra a gaivota é porque o mar a enxota
Se sabes o que eu sei, cala-te que eu me calarei
Santos da casa não fazem milagres
São mais as vozes que as nozes
Toda brincadeira tem sempre um pouco de verdade
Todo o homem tem o seu preço
Todos os caminhos vão dar a Roma
Tristezas não pagam dívidas
Uma mão lava a outra
Uma desgraça nunca vem só
Vão-se os anéis e ficam-se os dedos
Vozes de burro não chegam aos céus
Zangam-se as comadres, descobrem-se as verdades

24.06.09

"Note to President Obama: Want to Fix the Schools? Look to Portugal!"

Rui Luzes Cabral

Grande parte de nós, portugueses, diz mal de nós e bem dos outros. Não é tudo mau, os outros dizem bem de nós e do nosso Primeiro-Ministro.

 

Aqui pode ler um extracto do artigo de opinião de Don Tapscott "Note to President Obama: Want to Fix the Schools? Look to Portugal!" Para ler o artigo completo clique aqui.

"To show the way, I suggest the president take a look at a modest country across the Atlantic that's turning into the world leader in rethinking education for the 21st century.

 

That country is Portugal. Its economy in early 2005 was sagging, and it was running out of the usual economic fixes. It also scored some of the lowest educational achievement results in western Europe.
So President Jose Socrates took a courageous step. He decided to invest heavily in a "technological shock" to jolt his country into the 21st century. This meant, among other things, that he'd make sure everyone in the workforce could handle a computer and use the Internet effectively.
This could transform Portuguese society by giving people immediate access to world. It would open up huge opportunities that could make Portugal a richer and more competitive place. But it wouldn't happen unless people had a computer in their hands.
In 2005, only 31% of the Portuguese households had access to the Internet. To improve this penetration, the logical place to start was in school, where there was only one computer for five kids. The aim was to have one computer for every two students by 2010.
So Portugal launched the biggest program in the world to equip every child in the country with a laptop and access to the web and the world of collaborative learning. To pay for it, Portugal tapped into both government funds and money from mobile operators who were granted 3G licenses. That subsidized the sale of one million ultra-cheap laptops to teachers, school children, and adult learners."
20.05.09

CAÇADAS

Rui Luzes Cabral

Era Fatal que o empobrecimento do país (mais rápido do que previa a ingenuidade do cidadão distraído) provocasse uma ou outra forma de caça às bruxas das muitas que a cultura indígena costumam servir de primeiro alvo: porque usam o poder (que se imagina enorme) em seu próprio benefício e porque exploram e desprezam o povo. Os ricos (mesmo sem dinheiro) são o segundo alvo, sobretudo se andaram na política, porque se fizeram fatalmente à custa da probreza do próximo. E, em versões mais sofisticadas, também aparece, como terceiro alvo, o horrível empresário português, que vive da protecção e do favor do Estado, foge do risco e não cria verdadeira riqueza. Dantes também se perorava muito contra os funcionários públicos, que hoje, protegidos pelo número, gozam de uma certa imunidade.

 
A caça às bruxas parte necessariamente da ética, da responsabilidade e do altruísmo do acusador (sem essa presunção o exercício não era possível). E promete um castigo exemplar aos vários bandos de putativos celerados. Mas ninguém se preocupa em apanhar nenhum celerado em especial. A vida de cada português – pelo menos dos portugueses da classe média – avançou quase sempre por métodos que dispensam (e não toleram) escrutínio e a sociedade inteira assenta numa fraude colectiva e tácita, que por prudência e vontade de sobreviver não se discute. É, por isso, que se fala tanto em corrupção e não se prende ninguém por corrupção. A caça às bruxas não se destina, no fundo, a caçar bruxas com nome, cara e cadastro. Só por si, o alarido alivia a inveja e a consciência.
 
O “enriquecimento ilícito” ou, melhor o “enriquecimento que se suspeita ilícito” é o crime simbólico desta crise. Não vale a pena insistir no ónus da prova (que uma investigação aparentemente inverte) ou nos direitos básicos, que os justiceiros não se importam de pôr de parte. Nem vale a pena perguntar quantos casos de “enriquecimento ilícito” se calcula que existam e quanto tempo a um tribunal e a uma sentença (calculo que poucos). A retórica que por aí vai não passa de uma rejeição para consumo público da miséria que ficou à mostra e que, de resto, os portugueses nunca ignoraram que lá estava. Brandir o “enriquecimento ilícito” equivale a brandir uma virtude rara e uma promessa de salvação iminente. Não custa nada. E paga bem.
 
Vasco Pulido Valente, Público, 19 de Abril de 2009

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