Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

lavoura

Este blog é um espaço de debate e partilha de opiniões. Não te esqueças que o sustento do Homem provém da lavoura. Lança a semente, cultiva-a, ela te saciará...

lavoura

Este blog é um espaço de debate e partilha de opiniões. Não te esqueças que o sustento do Homem provém da lavoura. Lança a semente, cultiva-a, ela te saciará...

DE CEUTA A LAMPEDUSA...

Infante_D._Henrique_na_conquista_de_Ceuta,_s.XV.JP

 

A história é o que é, devendo cada Estado ou Nação e o seu povo, além de conhecerem o que se passou, compreenderem a época de cada acontecimento e o seu contexto social, político e económico. Não vou, obviamente, neste pequeno texto, fazer uma análise histórica do que levou Portugal a procurar outras paragens há 600 anos. No semanário Expresso é referido que “a 21 de agosto de 1415, uma armada portuguesa de 212 navios e 20 mil homens conquistou a cidade de Ceuta e marcou o início da expansão ultramarina portuguesa e europeia e o nascimento da globalização”.

 

Ora, o nascimento da globalização, para quem como hoje a conhece, poderá ser uma palavra controversa e o conceito associado em 1415 é totalmente diferente de 2015, mesmo que seja a mesma palavra. Também não vou aqui discutir ou emitir opinião sobre todo o percurso dos Descobrimentos, que desde Camões e Vieira, até Pessoa, para não falar da historiografia dos grandes historiadores portugueses, tão bem foram explicando o que aconteceu. “Ó Mar Salgado, quanto do teu sal / são lágrimas de Portugal!” para que pudéssemos passar “além da Taprobana.”

 

Coletivamente os feitos são “grandiosos”, embora as vidas sacrificadas sejam enormes. Explicar que vale a pena lutar a um jovem que sucumbiu em Ceuta para que a pudéssemos dominar ou ao militar que morreu lentamente nos braços de um seu camarada a defender as ex-colónias, não é fácil e dá que pensar. Se fôssemos nós? Mas não podemos ser “Velhos do Restelo” porque somos em 2015 fruto de toda a nossa história. Uma história que, inserida no continente europeu, nos remete ainda para um outro tipo de supremacia. Se pensarmos no que fomos para chegarmos ao que somos, rapidamente nos apercebemos que de forma muito simplista quase sempre foi o mais forte a conseguir-se impor, independentemente dos meios utilizados para lá chegar. Dos romanos ás invasões de outros povos que os fizeram capitular, passando pela época dos descobrimentos europeus na conquista de outros continentes, temos que admitir que dominou o mais forte. E com os descobrimentos veio o comércio esclavagista, o saque das riquezas, a aniquilação de etnias seculares ou a sua divisão. Muitos dos problemas do continente africano são fruto de tudo isso, um continente dividido a régua e esquadro, subjugado aos países europeus durante séculos. A partir de 1415 os nossos barcos e navios, grandes ou pequenos, atravessaram os mares à procura de melhores condições de vida para as populações do velho continente.

 

Agora, em 2015 ou se quisermos ser mais abrangentes, agora no século XXI, a viagem é ao contrário. De África para a Europa são milhares aqueles que também sonham por uma vida. Não sonham por uma vida melhor porque não vivem, sobrevivem. Não trazem exército, não são mais evoluídos que nós para “conquistarem” as nossas terras e transformarem as nossas Igrejas em Mesquitas como nós fazíamos há séculos atrás. Vêm simplesmente ao sabor das águas, explorados por redes mafiosas e sem escrúpulos. Muitos morrem neste gigantesco cemitério mediterrânico porque os países onde vivem não o são verdadeiramente e nunca o foram.

Pai e filho Síria.jpg

 

A Europa não pode continuar a fechar os olhos a esta calamidade e tem de estender os seu braços. A Europa que lucrou durante séculos com as riquezas africanas e com o trabalho do seu povo tem um dever moral de acolher. Obviamente que a população africana não pode vir toda viver para a Europa, mas pode a Europa criar um mecanismo de ajuda e pode a Europa ajudar a construir uma África melhor, sem querer dominar. Até porque quanto melhor viver o povo africano, melhor é para os europeus por diversos motivos. Por um lado não assiste ao sofrimento que atualmente acontece no mediterrâneo e por outro, quanto mais pujante for a economia africana  mais portas abre aos produtos europeus e à saudável transição de pessoas, seja para negócios ou para turismo. Enquanto a Europa não estender a mão, não para os recolher mortos ou vivos na costa italiana, mas antes para ajudarem a criarem-se condições nos países mais pobres, continuaremos a assistir a um flagelo mundial.

 

A minha pátria não é só a minha nação, a minha pátria é também o bem estar do meu irmão…

 

Legendas das imagens:

- A primeira é refere-se ao painel de azulejos de Jorge Colaço (1864-1942) na Estação de São Bento, no Porto: o Infante D. Henrique na conquista de Ceuta.

- A segunda é a fotografia de Daniel Etter, freelancer a trabalhar para o New York Times, mostra Laith Majid, um refugiado sírio de Deir Ezzor, agarrado aos filhos e com a cara cheia de lágrimas depois de viajar num barco insuflável que transportava 15 homens, mulheres e crianças. O destino era Kos, na Grécia. 

ECONOMIA EUROPEIA DE PARTILHA…

 Bandeira UE.jpg

A Europa, na sua constituição política, assente na procura de modelos sociais e económicos, que deverão ser cada vez mais condizentes com as necessidades das pessoas, tem percorrido um caminho complexo tendo em conta a diversidade cultural do Continente. Um percurso difícil mas que deve ser sempre apoiado, mantendo a matriz da tolerância, da integração, do apoio social, da defesa do ambiente, do respeito pela diferença, da influência que deve apresentar ao resto do mundo, sem impor.

 

A União Europeia, esse mecanismo político que tenta há mais de meio século criar um espaço comum de paz e boas condições de vida, deve procurar chegar a um patamar mais elevado de protecção das pessoas e de credibilização dos diversos sistemas que a compõem.

 

E para se construírem pontes seguras, resistentes às correntes mais fortes, não podem as mesmas estar assentes em barcas de madeira flutuante. Só com o exemplo de quem nos dirige e com a percepção que os interesses dos cidadãos são os primeiros a ter que ser defendidos numa sociedade democrática e livre, é que moralizamos a nossa Europa e criamos uma ideia comum de sociedade plural.

 

A economia de mercado tem os seus aspectos positivos mas não chega para moldar o nosso sistema ocidental de organização económica, que depois empesta negativamente a política, tornando a perceção social disforme na forma e no aspeto. Desde a antiguidade que a política é a arte mais nobre de procura e concretização de sonhos. Deve ser a política, no seu sentido último e verdadeiro fim, o grande mecanismo de representação de um povo. A política não pode ser uma ferramenta dos mercados, de grupos de interesse privado, de ideologias fechadas em objetivos pouco solidários. Os povos não podem estar dentro dessas barcas de madeira, sempre com medo das flutuações. Para estarmos entregues a nós próprios não teríamos evoluído, não teríamos sentido no passado essa necessidade de deixar a “animalidade” de um mundo sem construções físicas, sem construções imateriais e sentimentais. Se evoluímos foi para procurar o bem, ou pelo menos, distanciarmo-nos cada vez mais do mal.

 

Uma sociedade não pode ter dois pesos e duas medidas para o mesmo problema. Não pode nacionalizar prejuízos por todos e privatizar os lucros só por alguns. E a grande maleita da sociedade democrática ocidental, onde está a Europa, é que criou uma rede de micro poderes ocultos que mandam, regulam, distorcem e mudam regras, independentemente da vontade popular exercida na escolha política que fazem.

 

Isto acontece, em parte, porque a humanidade de alguns Homens cede e deixa que, em certos casos, a ideologia do mais forte impere sobre a ideologia da solidariedade. E como referi acima, a evolução deveria aos poucos abandonar a lei do mais forte pois é aí que reside a nossa maior ou menor humanidade colectiva.

 

Não se pode aprofundar uma Europa que é feita de interesses particulares na banca, na regulação, na educação, na justiça, na saúde, na distribuição da água…

 

Como é que queremos aproximar a população da política ativa se nos desresponsabilizamos coletivamente por estes serviços? Como é que é possível ser a banca privada a emprestar dinheiro aos Estados? O Banco Central Europeu serve para quê? Uma coisa é a especulação entre privados, outra coisa são os privados aproveitarem as fragilidades públicas para extorquirem através da legalidade dos juros insuportáveis, o rendimento que faz falta à educação e saúde das pessoas, entre outras necessidades…

 

Um Exemplo: Hoje a vida das pessoas é muito exigente, uma correria diária e quando nos apercebemos abate-se sobre nós a idade sénior. Se queremos subir mais um patamar na dignidade humana, não podemos permitir que as pessoas vivam os últimos anos de vida sujeitas às constipações dos mercados, aos erros dos políticos que elegemos ou aos privados que criamos.

 

A Europa tem de criar um mecanismo de compensação contributiva, para que, qualquer cidadão com mais de 65 anos tenha uma vida digna. Um sistema económico que sirva as pessoas e não só os mercados, em que a dignidade de uma pessoa não esteja dependente das más escolhas de uma sociedade ou da falência de um sistema económico-social. As pensões de reforma a partir dos 65 anos deveriam estar acima de qualquer défice, acima de qualquer ideologia, acima de mercados, acima de qualquer sistema político.

 

Continuar a indexar só as reformas à esperança média de vida e aos trabalhadores no ativo é insistir na tragédia, aliás, como se tem assistido nos últimos anos. Deixar também ao mesmo tempo que os seguros privados floresçam enquanto o estado da segurança social é afetado, leva a que se crie um sistema para pobres disfuncional e um sistema para ricos escandaloso.

 

Como se cria então este mecanismo de compensação contributiva? Criando no BCE – Banco Central Europeu uma bolsa financeira para o efeito, ou seja, assegurar as reformas a cidadãos com mais de 65 anos, imprimindo moeda se necessário. Sempre que a receita dos descontos dos trabalhadores no ativo não fossem suficientes, o BCE colocava o valor em falta, havendo superavit recebia esse excedente para a referida bolsa contributiva. Este mecanismo a nível de todos os países da EU proporcionaria uma vida mais digna a quem está já numa fase da vida mais frágil.

 

E não esquecer ainda a geopolítica internacional conduzida, alimentada ou ignorada pelo ocidente, onde a Europa é ator principal. Uma geopolítica alicerçada mais uma vez nos mercados, no lucro, nos países “amigos” ou “inimigos” que interessam valorizar, proteger ou destabilizar. Alicerçada nas vendas, seja no que for, até das armas, que depois são utilizadas para nos agredir. Falamos muito, mas podíamos fazer muito mais. E nós, cidadãos europeus, temos que estar mais vigilantes, temos que ser mais interessados, mais exigentes e, já agora, temos de cultivar mais na prática a igualdade, a fraternidade e a solidariedade.

 

A Europa não pode criar um espaço onde a preocupação principal são números, défices, ajustamentos, economia de folha de excel, dando a ideia às pessoas que são números estatísticos. A Europa tem de se adaptar à diferença dos povos, integrá-los, dar-lhes perspectivas de vida através de empregos com dignidade. A precariedade laboral a que se assiste não tem sido boa para a população que facilmente se sente desprotegida, sem horizontes, sem nada a perder. Esta é uma barreira muito ténue que leva ao crime, à corrupção, à procura de ideologias distorcidas, a radicalismos religiosos, a movimentos políticos demagógicos e populistas.

 

Quando aproximarem a economia das pessoas, colocando-a ao seu serviço, as pessoas aproximar-se-ão cada vez mais da política. Uma economia partilhada, ao serviço de todos porque é de todos.

 

Rui Luzes Cabral

09 Janeiro 2015

Conhecer a Turquia...

Conhecer a Turquia através de um excelente artigo de Jorge Almeida Fernandes, escrito no passado Domingo no Jornal Público. Neste texto podemos perceber os meandros do poder político Turco e os mentores das lutas sociais que procuram novamente uma nova Turquia. E no centro destas lutas estão duas figuras, a de Fethullah Gülen que "arrasta frequentemente o adjectivo “misterioso”. Vive, desde 1998, nos Estados Unidos, em Saylorsburg, Pensilvânia. É um pensador de inspiração sufi que dirige um movimento — Hizmet (serviço) ou Cemaat (comunidade) — com uma rede de escolas e universidades em quase 160 países, um império mediático, associações profissionais e uma federação empresarial. Tem milhões de simpatizantes na Turquia e países turcófonos. Uma grande parte da moderna elite turca, da vida académica ao mundo empresarial, segue os seus ensinamentos. Do outro lado está o actual primeiro-ministro, Recep Tayyip Erdogan. Vale a pena ler AQUI.

"A paz no Médio Oriente não passa por resoluções da ONU, diz Barack Obama"

 

O presidente norte-americano afirmou, na abertura da Assembleia Geral da ONU, não existirem “atalhos” para a pacificação do Médio Oriente, sublinhando que a formação de um estado palestiniano passará por negociações diretas com Israel. “São os israelitas e os palestinianos, não nós, quem deve chegar a um acordo sobre as questões que os dividem”, como “as fronteiras e a segurança, os refugiados e Jerusalém”, sublinhou o presidente norte-americano, afastando-se do discurso da última sessão da Assembleia Geral da ONU, em setembro de 2010, quando disse acreditar que “no prazo de um ano” se chegaria a um acordo para a criação de um Estado palestiniano.

 

Barack Obama admitiu estar dececionado com o impasse no processo de paz no Médio Oriente e frisou que a paz na região “não se alcançará mediante declarações e resoluções da ONU”.

 

A Autoridade Nacional Palestiniana prevê levar uma proposta ao Conselho de Segurança, na sexta-feira, para o reconhecimento da Palestina como um estado independente de Israel e com plenos direitos na organização, mas Barack Obama frisa agora a necessidade de um acordo entre as duas partes, que considera terem “aspirações legítimas”.

 

“A paz depende do compromisso entre as pessoas que devem viver juntas. É essa a lição da Irlanda do Norte, onde os antigos inimigos superaram as diferenças. Essa é a lição do Sudão, onde um acordo negociado levou a um estado independente. E é esse o caminho para um Estado palestiniano”, concluiu o presidente norte-americano.

 

@SAPO Imagem @ EPA/Jason Szenes

 

COMENTÁRIO:

Aquilo a que chamam "paz", no Iraque, no Afeganistão, Líbia e tantos outros sítios, afinal, passou por resoluções das Nações Unidas, algumas delas suportadas em escandalosas mentiras. Muitas delas para resolverem problemas momentâneos ou interesses obscuros. e um problema de tantos anos, de tão fácil resolução empata-se com conversa fiada? Pobre de ti Ocidente!... Depois queixas-te que há um eixo do mal...

Israel gosta da comunidade internacional mas só para os outros...

 

De acordo com notícia do www.sapo.pt, o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, agradeceu hoje ao seu homólogo italiano, Silvio Berlusconi, pela oposição italiana ao reconhecimento de um Estado palestiniano na ONU, numa conferência de imprensa conjunta em Roma.

 

"A paz só pode ser resultado de negociações, não pode ser imposta do exterior ou por uma resolução da ONU", declarou Netanyahu, adiantando: "Quero agradecer-vos pela vossa posição clara contra a tentativa de contornar as negociações de paz".

 

Face ao impasse nas negociações com Israel, os palestinianos admitem pedir o reconhecimento do seu Estado na Assembleia Geral das Nações Unidas em Setembro.

 

"Não pensamos que uma solução unilateral possa ajudar a paz, nem do lado palestiniano, nem do lado israelita. Creio que a paz só pode ser conseguida através de negociações", declarou, por seu turno, Berlusconi. O chefe do governo israelita iniciou domingo uma visita a Itália à frente de uma delegação de nove ministros. Os dois executivos assinaram oito acordos de colaboração em diversas matérias.

 

COMENTÁRIO: Até parece que seria a primeira vez que uma imposição do exterior era realidade. A própria criação do Estado de Israel foi imposta, e bem pela comunidade internacional. Porque não fazer o mesmo com a Palestina? Aliás, quando foi criado o Estado Israelita, deveria também ter sido criado o Palestiniano.

QUEM E O QUE DEFENDE A NATO

A República Portuguesa encheu-se de vaidade por estes dias, por causa da Cimeira da NATO, em que dezenas de dirigentes e seus familiares vieram passear a Lisboa. Os familiares foram visitar a cidade e ver museus, os responsáveis pelos cargos políticos foram até ao Parque das Nações assinar algo que já estava discutido e aprovado. As cimeiras modernas não são para discutir nada, parece-me. São simplesmente para meia dúzia de discursos e encontrar-se “a malta” que dirige (ou pretende dirigir) o mundo. Para esse encontro gastam-se milhões e milhões em segurança, logística, assessorias, viagens, etc. Serve pelo menos para “girar” o comércio.

 

No caso desta organização (NATO), se pelo menos encerra-se em si mesma no que toca à missão pela qual existe, algo de extremamente necessário para o nosso planeta, ainda se compreenderia tanta excitação. O problema é que não lhe vejo vantagem alguma. Quando foi criada, a NATO tinha razão de ser, tal qual teve razão de ser a união de vários países, que “Aliados” venceram a Segunda Guerra Mundial. Nessa altura com a divisão do mundo em dois grandes blocos, marcadamente politizados e armados, prontos a dispararem ao mínimo desentendimento, ainda se compreendeu. Mas com o fim da União Soviética, com o fim do Muro de Berlim e com o fim do Pacto de Varsóvia a 31 de Março de 1991 (Aliança militar do leste Europeu, ou seja, a NATO dos comunistas) que sentido faz hoje em dia a NATO. Bem, se a entendermos como um clube de meia dúzia de países ricos (EUA, Canadá, Inglaterra, França, Alemanha e Itália), secundada pelos restantes 22 Estados, que ali estão por mera conveniência e, porque fica sempre bem a um pobre estar ou entrar em casa de um rico, então compreende-se. Mas isso é muito pouco e o pouco que é já não serve.

 

Não vejo qualquer vantagem na existência, hoje, da NATO, até porque a União Europeia (21 dos países membros da NATO pertencem à UE) deverá ser cada vez mais um bloco político, social, económico e militar unido, que fale a uma só voz e que não se disperse por aqui e por ali, conforme o gosto ou a conveniência. Que força militar tem a UE? E não tem porquê? Ficam as perguntas. Por outro lado, não vejo qualquer vantagem na existência, hoje, da NATO, porque com a existência da ONU, uma organização internacional que não tende a ser “um clube” restrito, é que deveria ser a grande organização por excelência, capaz de agregar, capaz de ser ainda mais respeitada, capaz de ser ajudada. Os capacetes azuis deveriam ser a Força Internacional que mais pudessem contribuir para a paz no mundo. É inconcebível nos dias de hoje, actuar-se em poucos dias, invadindo países como o Afeganistão e o Iraque e não o fazer em Estados Africanos que vivem em guerra há décadas para os quais ninguém olha. É inconcebível não se forçar de uma vez por todas uma resolução (no terreno) para o conflito entre Israel e a Palestina. É inconcebível haver 5 membros permanentes no Conselho de Segurança, como que intocáveis e sabedores da razão. A ONU conta actualmente com 192 Estados Membros, quase a totalidade dos Estados Soberanos do Mundo. Não seria a organização perfeita para pugnar pela segurança dos povos?

 

Uma ONU forte e mobilizadora contaria no seu exército com militares de todos esses 192 Estados. A União Europeia deveria possuir uma força militar própria e contribuir também com militares para os capacetes azuis. OS EUA já sabemos que em recursos de defesa estão bem equipados. A China é uma potência em crescendo. Outros países emergentes também poderiam dar um bom contributo. Com uma ONU forte, seriam precisas organizações como a NATO?

 

Pergunto eu novamente, para quê uma NATO, se poderíamos ter uma organização como a ONU, mais representativa dos povos e, porventura, mais respeitada. Não sou muito de ir para a rua manifestar-me, nem tampouco concordo muito com o “modus operandi” de algumas delas, mas que existem ali razões de protesto válidas e pertinentes, não tenho dúvidas.

 

Por isso, depois de uma Cimeira como a de Lisboa, em nada o meu orgulho Português cresceu. Tenho pena que andemos entretidos em reuniões balofas de conteúdo, mais preocupados em conservar o poder deste ou daquele, num clube restrito, em que agora até vai ter a colaboração da Rússia e, no fim de contas, só sirva para o benefício de poucos. Não nos esqueçamos que há milhões e milhões a morrerem à fome. Acabemos, pois, com estas excentricidades. Mas como a NATO, existem outras por aí. O G20 é talvez o expoente máximo do cinismo dominante que nos governa. Haja mais solidariedade, haja mais ONU.

 

E, para terminar, deixo só outra questão. Tantos governantes, tantos assessores, tantos políticos e fazedores de opinião e, poucas dessas vozes audíveis falam da questão: A NATO faz sentido no Século XXI?

 

Estarei eu a pensar numa barbaridade assim tão grande, sem sentido algum e desprovida de conteúdo? Haverá alguma clarividência nesta minha opinião?

 

Rui Luzes Cabral

22 de Novembro de 2010

01:04

Quem é, ou quem são os grandes responsáveis deste e de outros crimes patrimoniais no Iraque?

"Há sete anos mataram a história do Iraque. Foi só uma entre várias mortes, mas foi dura. Hoje, o Museu do Iraque está moribundo. Reaberto, é certo. Mas moribundo. Um Museu doente. Um país a que mataram a história também. Muhsin Hassan Ali, Vice-Director do Museu do Iraque. Jornal Público, 11 Agosto. Enviado do meu BlackBerry® da tmn

Mentes como a areia

"Até Deus está contra nós. Envia-nos calor e seca, como os americanos trouxeram o urânio empobrecido e abriram as fronteiras para deixar entrar os terroristas e garantir que não chegavam à América. Um dia, o Iraque vai ser só deserto. A Mesopotâmia verde vai tornar-se no Sara. E o deserto vai trazer extremistas. Só vai haver deserto e céu. Nenhuma beleza. Nem uma árvore. E as mentes dos que tiverem ficado vão tornar-se como a areia, que parece mole mas não se pode engolir. O Iraque vai ser um deserto de terra e pensamentos." Hamed al-Maliki, escritor e dramaturgo iraquiano, hoje no Jornal Público, pág. 14 e 15. Os dois extractos deste escritor iraquiano mostram bem o que toda a gente já sabe. A invasão do Iraque foi precipitada e feita só a pensar no petróleo que lá existe. Bush preocupado com o sofrimento do povo e falta de democracia? Não me parece. Nem tampouco armas de destruição maciça. Haja uma ONU forte e justa, com sede em África e uma Europa interventiva e defensora dos verdadeiros valores humanistas. Enviado do meu BlackBerry® da tmn