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Este blog é um espaço de debate e partilha de opiniões. Não te esqueças que o sustento do Homem provém da lavoura. Lança a semente, cultiva-a, ela te saciará...

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DE CEUTA A LAMPEDUSA...

Infante_D._Henrique_na_conquista_de_Ceuta,_s.XV.JP

 

A história é o que é, devendo cada Estado ou Nação e o seu povo, além de conhecerem o que se passou, compreenderem a época de cada acontecimento e o seu contexto social, político e económico. Não vou, obviamente, neste pequeno texto, fazer uma análise histórica do que levou Portugal a procurar outras paragens há 600 anos. No semanário Expresso é referido que “a 21 de agosto de 1415, uma armada portuguesa de 212 navios e 20 mil homens conquistou a cidade de Ceuta e marcou o início da expansão ultramarina portuguesa e europeia e o nascimento da globalização”.

 

Ora, o nascimento da globalização, para quem como hoje a conhece, poderá ser uma palavra controversa e o conceito associado em 1415 é totalmente diferente de 2015, mesmo que seja a mesma palavra. Também não vou aqui discutir ou emitir opinião sobre todo o percurso dos Descobrimentos, que desde Camões e Vieira, até Pessoa, para não falar da historiografia dos grandes historiadores portugueses, tão bem foram explicando o que aconteceu. “Ó Mar Salgado, quanto do teu sal / são lágrimas de Portugal!” para que pudéssemos passar “além da Taprobana.”

 

Coletivamente os feitos são “grandiosos”, embora as vidas sacrificadas sejam enormes. Explicar que vale a pena lutar a um jovem que sucumbiu em Ceuta para que a pudéssemos dominar ou ao militar que morreu lentamente nos braços de um seu camarada a defender as ex-colónias, não é fácil e dá que pensar. Se fôssemos nós? Mas não podemos ser “Velhos do Restelo” porque somos em 2015 fruto de toda a nossa história. Uma história que, inserida no continente europeu, nos remete ainda para um outro tipo de supremacia. Se pensarmos no que fomos para chegarmos ao que somos, rapidamente nos apercebemos que de forma muito simplista quase sempre foi o mais forte a conseguir-se impor, independentemente dos meios utilizados para lá chegar. Dos romanos ás invasões de outros povos que os fizeram capitular, passando pela época dos descobrimentos europeus na conquista de outros continentes, temos que admitir que dominou o mais forte. E com os descobrimentos veio o comércio esclavagista, o saque das riquezas, a aniquilação de etnias seculares ou a sua divisão. Muitos dos problemas do continente africano são fruto de tudo isso, um continente dividido a régua e esquadro, subjugado aos países europeus durante séculos. A partir de 1415 os nossos barcos e navios, grandes ou pequenos, atravessaram os mares à procura de melhores condições de vida para as populações do velho continente.

 

Agora, em 2015 ou se quisermos ser mais abrangentes, agora no século XXI, a viagem é ao contrário. De África para a Europa são milhares aqueles que também sonham por uma vida. Não sonham por uma vida melhor porque não vivem, sobrevivem. Não trazem exército, não são mais evoluídos que nós para “conquistarem” as nossas terras e transformarem as nossas Igrejas em Mesquitas como nós fazíamos há séculos atrás. Vêm simplesmente ao sabor das águas, explorados por redes mafiosas e sem escrúpulos. Muitos morrem neste gigantesco cemitério mediterrânico porque os países onde vivem não o são verdadeiramente e nunca o foram.

Pai e filho Síria.jpg

 

A Europa não pode continuar a fechar os olhos a esta calamidade e tem de estender os seu braços. A Europa que lucrou durante séculos com as riquezas africanas e com o trabalho do seu povo tem um dever moral de acolher. Obviamente que a população africana não pode vir toda viver para a Europa, mas pode a Europa criar um mecanismo de ajuda e pode a Europa ajudar a construir uma África melhor, sem querer dominar. Até porque quanto melhor viver o povo africano, melhor é para os europeus por diversos motivos. Por um lado não assiste ao sofrimento que atualmente acontece no mediterrâneo e por outro, quanto mais pujante for a economia africana  mais portas abre aos produtos europeus e à saudável transição de pessoas, seja para negócios ou para turismo. Enquanto a Europa não estender a mão, não para os recolher mortos ou vivos na costa italiana, mas antes para ajudarem a criarem-se condições nos países mais pobres, continuaremos a assistir a um flagelo mundial.

 

A minha pátria não é só a minha nação, a minha pátria é também o bem estar do meu irmão…

 

Legendas das imagens:

- A primeira é refere-se ao painel de azulejos de Jorge Colaço (1864-1942) na Estação de São Bento, no Porto: o Infante D. Henrique na conquista de Ceuta.

- A segunda é a fotografia de Daniel Etter, freelancer a trabalhar para o New York Times, mostra Laith Majid, um refugiado sírio de Deir Ezzor, agarrado aos filhos e com a cara cheia de lágrimas depois de viajar num barco insuflável que transportava 15 homens, mulheres e crianças. O destino era Kos, na Grécia. 

MIGUEL RELVAS E A “JUVENTUDE DA MOBILIDADE”

 

“Nós investimos significativamente ao longo dos últimos 20 anos numa geração, apostamos nela, demos-lhes condições, preparamos-lhes para o futuro, demos-lhes os instrumentos e as ferramentas, para que, pudessem ser úteis à sociedade e, hoje não lhe demos aquilo que eles precisam, que é emprego. Preparamos, investimos na formação e na educação e, hoje não somos capazes, pela circunstância em que estamos, de lhes dar oportunidade de serem úteis à sociedade.

 

E essa mesma juventude, gente bem preparada, que hoje não vive com a expectativa, que foi isso que eu senti em Moçambique, não vi nenhum usar a palavra saudade, não vi. Também fiquei com a sensação que a pátria deles é o momento onde estão, a circunstância em que estão.

 

Esta juventude de hoje é uma juventude da mobilidade.”

 

Miguel Relvas, proferiu estas palavras a semana passada, pensando que elas seriam uma lufada de modernidade e verdade no discurso político português, tentando encontrar em tais afirmações justificativo para pacificar o ambiente pessimista que se vive. Mas o que originou, foi insistir no erro de fazer crer aos portugueses que sair de Portugal é uma das poucas alternativas para os nossos jovens e para os nossos desempregados. Mudem-se algumas políticas no país e na Europa que, decerto, existirão melhorias para as pessoas. O poder económico não pode mandar em tudo, inclusive na política…

 

1 - Se Miguel Relvas não fosse um destacado político, agora com a responsabilidade que o cargo de Ministro lhe confere, não me causaria incómodo de monta. Mas vindo deste senhor, braço direito de Pedro Passos Coelho, a coisa muda de figura, como diz a nossa gente. É que uma pessoa investida deste cargo governamental, não pode, ceder a esta análise comum e ligeira, empurrando para os outros aquilo que compete, em primeira instância, à classe política. Admitir que não temos esperança a dar aos nossos jovens é o primeiro passo para não acreditarmos no país. E um governante nunca deve deixar de o fazer, pois quando o exterioriza contamina todos os governados, fazendo com que eles sejam atingidos por um baixa de “rating” emocional e social para superarem as adversidades do presente com que se confrontam. Os políticos devem injectar confiança e esperança na sociedade e, devem fazer tudo por tudo para encontrarem as melhores soluções para a resolução dos problemas que vão surgindo.

 

2 - Este Governo está em funções à cerca de seis meses e, ainda não vimos sinais animadores que nos indicie que estão a superar a crise de valores que atravessamos. Quis-se em primeiro lugar fazer crer que Portugal, como Estado, falhou e, depois quis-se colocar todo o ónus desse falhanço numa única pessoa: José Sócrates. Ambas as análises estão erradas e, nada mais há de verdade na prova que assim não é, que nem Portugal é um Estado falhado, nem José Sócrates é o grande responsável pelo momento menos bom que atravessamos. Se este Governo fosse mais sério, não insistiria nesta receita obsoleta e trapaceira. Basta olhar para a Europa e para o mundo para se perceber que nem Portugal é um Estado falhado, nem Sócrates o seu coveiro. Vivemos, isso sim, diante de um momento colectivo difícil, que pode ser a fronteira para um novo mundo ou o retrocesso a um outro que já não interessa. Pelo menos parece que agora já existe crise internacional, coisa que na campanha passada não existia para os actuais governantes.

 

Precisávamos de mais. Precisávamos que as políticas deste Governo PSD/CDS não fossem as que estão à vista, continuando o país a navegar praticamente nas mesmas águas dos últimos anos. Ou talvez em águas mais turvas. E que navegação é essa? Nomeações partidárias descaradas; favorecimento de grandes grupos económicos; peso excessivo da banca nos meios de decisão política; contínua privatização de setores chave da economia; pouca aposta nos nossos meios produtivos; ausência de políticas concretas e revolucionárias para a nossa agricultura, floresta e pescas; falta de respostas para a sustentabilidade das PME’S; insistência no erro de resolver os problemas estruturais do défice com receitas extraordinárias e com a subida de impostos; excessiva proteção de diversas classes sociais e grupos de interesse bem enraizados na sociedade…

 

Se perante este amorfismo a solução é emigrar, deverá ser cada cidadão a reflectir e a decidir o que mais lhe convém. Agora, ser um Ministro a endereçar o convite e repetir o erro que já tinha sido cometido pelo Primeiro-Ministro e por um Secretário de Estado, até leva a pensar que além da estratégia do pastel de nata do Ministro Álvaro, esta de emigrar é a outra grande fórmula para o sucesso do país. Sinceramente…

 

3 – “hoje não lhe demos aquilo que eles precisam, que é emprego.” Pois não, é que muitos dos políticos andaram mais preocupados com os seus empregos futuros e com os empregos dos seus amigos e familiares que não tornaram as estruturas do Estado capazes de enfrentarem as exigências do século XXI. Claro que também têm existido boas políticas e uma parte significativa das pessoas que estão na política são sérias e generosas, no entanto, não têm sido suficientes para tornar o país menos injusto. Somos na Europa, um dos países em que a diferença entre ricos e pobres se acentua mais.

 

4 – “não vi nenhum usar a palavra saudade, não vi.” Não viu mas devia ter ouvido, porque nós somos do país da saudade, do país do fado. E independentemente disso, quem não se sente não é filho de boa gente, como diz o nosso ditado. Todo aquele que não sente saudade do seu país não faz parte dele. Isso é preocupante para o nosso futuro colectivo e deveria ser motivo de preocupação para Miguel Relvas e, não de orgulho, como pareceu ser.

 

5 – “a pátria deles é o momento onde estão, a circunstância em que estão.” O que é que quereria dizer Miguel Relvas com esta afirmação? Que Portugal não é uma Nação, é simplesmente um Estado? Um Estado que agora, até é mais Estado/Empresa, gerido pelo mercado e suas leis, emanadas, não do poder político mas de grupos económicos poderosíssimos que actuam sem serem escrutinados pela democracia do voto popular? Se assim é, ele tem razão. Mas então, má sorte a nossa, que depositamos nestes governantes esperança para zelarem pelo nosso destino colectivo. A nossa pátria deve ser só uma e isso não choca nada com o sítio do mundo onde possamos estar. Querer desenraizar as pessoas da sua história, da sua cultura, da sua língua e das suas crenças é um mau serviço que se presta. Um “político” destes não merece o lugar que ocupa.

 

Miguel Relvas talvez não saiba que Portugal não é só um Estado. Portugal é um dos mais antigos Estado/Nação e a Nação é o que nos une e foi sempre o que nos fez sermos grandes. Os descobrimentos fizeram-se pela pátria, para resolver os nossos problemas, nunca esquecendo quem somos, o que fomos e o que poderíamos ser. Entre outros autores e pensadores, aconselho Miguel Relvas a ler o padre António Vieira, Camões, Fernando Pessoa, Agostinho da Silva e Eduardo Lourenço para entender Portugal e o quão errada é a sua análise e a sua ideia sobre o que precisamos para sermos maiores.

 

6 - “Esta juventude de hoje é uma juventude da mobilidade.” Pois é Sr. Ministro, deveríamos todos lutar para que o não fosse tanto e, deveríamos contar com os políticos para ajudar a mudar esta fatalidade. Não nos resignemos em demasia à mobilidade, pois isso, levado ao exagero, enfraquece os direitos das pessoas, torna-as frágeis no emprego, desenraíza-as da sociedade local, torna os laços familiares mais ténues e torna o mundo cada vez mais impessoal e mais violento. Em contrapartida, precisamos de mais humanismo, mais estabilidade, mais contacto pessoal, mais associativismo, mais sociedade…

 

A mobilidade trás impessoalidade, desconhecimento, precariedade e indiferença. E a política deveria trazer confiança, esperança, estabilidade e qualidade de vida. E não palavras como as que proferiu Miguel Relvas.

 

Rui Luzes Cabral

15 de Janeiro de 2012 – 01:42

Presidenciais 2011 - As voltas que dá a política para alguns…

Ontem à noite, Cavaco Silva engoliu uma vez mais “um grande sapo”. Paulo Portas, que nasceu para a política a dizer mal do antigo Primeiro-ministro, subiu a palco em Aveiro para o elogiar, para dizer que é o candidato mais bem colocado para ser Presidente da República. As voltas que dá a política para alguns…

 

Cavaco Silva, prefere esquecer o passado em troca dos votos do CDS-PP, algo que não lhe agradará, mas neste momento serve.

 

Este é o mesmo Cavaco Silva que há poucos dias promulgou o diploma do Governo sobre o ensino particular e cooperativo e agora vem apoiar o protesto do povo nas ruas.

 

Este é o mesmo Cavaco Silva que quer credibilizar a classe política mas gosta de afirmar que não é político, tendo a sua vida activa sido ocupada pela política pura e dura.

 

Este é o mesmo Cavaco Silva que não tem vergonha de dizer em frente às câmaras que há poucos anos era um “mísero professor”, como que fazendo crer que um político como ele, exercendo os cargos que já exerceu, não está sujeito, infelizmente, às mesmas tricas que os outros actores políticos.

 

Este é o mesmo Cavaco Silva que era o garante da Nação devido à sua formação em economia e finanças, o mais bem preparado para a “cooperação estratégica” com o Governo de Sócrates e foi na sua presidência que mais problemas temos com essa área da governação.

 

Este é o mesmo Cavaco Silva que pensávamos que era activo na sua magistratura de influência, mas parece que só agora, que quer novamente ser eleito, é que admite que vai então proceder a uma “magistratura activa”. O que andou a fazer até agora?

 

Este é o mesmo Cavaco Silva que responsabiliza os políticos (que ele tanto abomina) pelo estado a que chegou o nosso Estado e nunca lhe ouvimos uma palavra de autocrítica ou análise do seu tempo como ministro das finanças ou das suas duas maiorias absolutas.

 

Este é o mesmo Cavaco Silva de sempre. Quem tem memória e acompanha a política portuguesa do pós 25 de Abril não estranha.

 

É óbvio que Fernando Nobre, Francisco Lopes, Manuel Alegre, Defensor Moura e José Manuel Coelho também têm os seus defeitos e as suas incongruências políticas. Mas pelo menos, os seus apoiantes não julgam que estão acima de ninguém, não pensam que são a reserva moral da Nação, que são inatacáveis, ou que são os “super-sérios” das redondezas. Os mesmos que acreditam que ele nunca se engana e raramente tem dúvidas são os mesmos que vêem em Sócrates e nos socialistas os estrafegos do país. Não se coloque o ónus da desgraça só de um lado da balança. Isso quando há desgraça, que considero não existir. Portugal está no ranking dos melhores países do mundo para se viver.

 

Posto isto, volto a repetir algumas frases que escrevi recentemente neste espaço sobre esta campanha, no rescaldo do debate Cavaco – Alegre e ninguém ousou contrariar:

 

Eu gostaria de ver os candidatos a discutirem se é ou não pertinente haver um só mandato de 7 ou 8 anos para que a função seja exercida com mais liberdade e descomprometimento.

 

Gostava de ouvir os candidatos discutirem as competências e funções do presidente, visto que sempre se queixam que pouco podem. Gostava de os ouvir falar sobre a regionalização política do país.

 

De uma coisa estes debates têm servido: para demonstrarem a irrelevância do cargo. E o país também não anda muito preocupado com esta eleição, muito menos com a crise. Os portugueses, ou melhor dizendo, uma parte significativa deles, andam preocupados com eles próprios, com as suas férias, o telemóvel novo que saiu no Natal, a época de saldos que agora começou, o espumante para a passagem do ano…

 

Nem o deficit os entusiasma ou irrita. Isso é bom para os jornais, televisões e oposição.

FELIZ ANO NOVO DE 2011

A vida é o que nos acontece no intervalo dos nossos planos.

Estamos todos apreensivos com o novo ano, que em termos de vida é apenas a continuidade da nossa efémera existência neste planeta.

Desejo a todos um Bom Ano, embora todos nos queiram oferecer um ano de desgraças, mas temos de contar com a graça de Deus, que de graça nos oferece a esperança. E quem ainda não perdeu a esperança ainda espera!!

Embora com aumentos de preços generalizados e, se for o caso, cortes no ordenado.... 

Nada te perturbe,
Nada te espante,
Tudo passa,
Deus não muda,
A paciência tudo alcança;
Quem a Deus tem
Nada lhe falta:
Só Deus basta.

(Santa Teresinha do menino Jesus)

Debate Manuel Alegre versus Cavaco Silva

O debate desta noite nada trouxe de novo. Meia dúzia de insinuações e três ou quatro generalidades, tanto de Alegre como de Cavaco. Um diz que não tem poder para mais, o outro que podia ir mais além. Um diz que sim o outro que não, um diz que não e o outro que sim. Os dois não disseram nada.

 

Para debates presidenciais, primeiro, julgo que meia hora é uma brincadeira. Depois não há ali uma ideia sobre o país, nem tampouco para que serve o Presidente da República.

 

Eu gostaria de ver os candidatos a discutirem se é ou não pertinente haver um só mandato de 7 ou 8 anos para que a função seja exercida com mais liberdade e descomprometimento. Gostava de ouvir os candidatos discutirem as competências e funções do presidente, visto que sempre se queixam que pouco podem. Gostava de ouvir os candidatos a falarem sobre o que pensam verdadeiramente sobre o país, não se escusando sempre na descrição da função que exercem ou querem exercer. Gostava de os ouvir a lançar ideias para a sustentabilidade do país. Gostava de os ouvir falar sobre o que é hoje o sector público e o que faz o privado e os seus grupos de interesse para o aniquilar. Gostava de os ouvir falar sobre os “mercados”, quem são, onde estão, o que os movem. Gostava de os ouvir falar sobre a regionalização política do país. Gostava de os ouvir falar nos mais desprotegidos da sociedade.

 

Gostava, mas nada. Não ouvi nada disso nem outras ideias interessantes.

 

De uma coisa estes debates têm servido: para demonstrarem a irrelevância do cargo. E o país também não anda muito preocupado com esta eleição, muito menos com a crise. Os portugueses, ou melhor dizendo, uma parte significativa deles, andam preocupados com eles próprios, com as suas férias, o telemóvel novo que saiu no Natal, a época de saldos que agora começou, o espumante para a passagem do ano…

 

Nem o deficit os entusiasma ou irrita. Isso é bom para os jornais, televisões e oposição.

A Igreja deve andar mais depressa, desde que ande bem...

Jesus Cristo foi um Homem muito à frente no seu tempo. E de uma forma tal, que até hoje, passados mais de 2 mil anos a sua mensagem não se esgotou e continua actual. O que eu esperava da hierarquia da Igreja Católica era isso, que fosse o farol que vai à nossa frente a iluminar e não, que fique à espera que o pessoal vá à frente na caminhada, para só depois dar uma corrida para se aproximar do último da fila. "O que é a verdade?"... Comentário feito por mim no facebook (21 Nov. 2010) a uma notícia sobre o que disse o Papa sobre o uso do preservativo, colocada pelo meu irmão.

 

“Mais tarde ou mais cedo - é preferível mais cedo -, a Igreja deverá ter um pronunciamento lúcido e claro sobre estas matérias. Para não dar a impressão de que ela lá vai indo, mas aos empurrões, e quando, entretanto, muitos a foram abandonando.” Extracto da crónica (A Igreja e os sinais dos tempos) do Padre Anselmo Borges no DN de 28 de Novembro de 2010.

QUEM E O QUE DEFENDE A NATO

A República Portuguesa encheu-se de vaidade por estes dias, por causa da Cimeira da NATO, em que dezenas de dirigentes e seus familiares vieram passear a Lisboa. Os familiares foram visitar a cidade e ver museus, os responsáveis pelos cargos políticos foram até ao Parque das Nações assinar algo que já estava discutido e aprovado. As cimeiras modernas não são para discutir nada, parece-me. São simplesmente para meia dúzia de discursos e encontrar-se “a malta” que dirige (ou pretende dirigir) o mundo. Para esse encontro gastam-se milhões e milhões em segurança, logística, assessorias, viagens, etc. Serve pelo menos para “girar” o comércio.

 

No caso desta organização (NATO), se pelo menos encerra-se em si mesma no que toca à missão pela qual existe, algo de extremamente necessário para o nosso planeta, ainda se compreenderia tanta excitação. O problema é que não lhe vejo vantagem alguma. Quando foi criada, a NATO tinha razão de ser, tal qual teve razão de ser a união de vários países, que “Aliados” venceram a Segunda Guerra Mundial. Nessa altura com a divisão do mundo em dois grandes blocos, marcadamente politizados e armados, prontos a dispararem ao mínimo desentendimento, ainda se compreendeu. Mas com o fim da União Soviética, com o fim do Muro de Berlim e com o fim do Pacto de Varsóvia a 31 de Março de 1991 (Aliança militar do leste Europeu, ou seja, a NATO dos comunistas) que sentido faz hoje em dia a NATO. Bem, se a entendermos como um clube de meia dúzia de países ricos (EUA, Canadá, Inglaterra, França, Alemanha e Itália), secundada pelos restantes 22 Estados, que ali estão por mera conveniência e, porque fica sempre bem a um pobre estar ou entrar em casa de um rico, então compreende-se. Mas isso é muito pouco e o pouco que é já não serve.

 

Não vejo qualquer vantagem na existência, hoje, da NATO, até porque a União Europeia (21 dos países membros da NATO pertencem à UE) deverá ser cada vez mais um bloco político, social, económico e militar unido, que fale a uma só voz e que não se disperse por aqui e por ali, conforme o gosto ou a conveniência. Que força militar tem a UE? E não tem porquê? Ficam as perguntas. Por outro lado, não vejo qualquer vantagem na existência, hoje, da NATO, porque com a existência da ONU, uma organização internacional que não tende a ser “um clube” restrito, é que deveria ser a grande organização por excelência, capaz de agregar, capaz de ser ainda mais respeitada, capaz de ser ajudada. Os capacetes azuis deveriam ser a Força Internacional que mais pudessem contribuir para a paz no mundo. É inconcebível nos dias de hoje, actuar-se em poucos dias, invadindo países como o Afeganistão e o Iraque e não o fazer em Estados Africanos que vivem em guerra há décadas para os quais ninguém olha. É inconcebível não se forçar de uma vez por todas uma resolução (no terreno) para o conflito entre Israel e a Palestina. É inconcebível haver 5 membros permanentes no Conselho de Segurança, como que intocáveis e sabedores da razão. A ONU conta actualmente com 192 Estados Membros, quase a totalidade dos Estados Soberanos do Mundo. Não seria a organização perfeita para pugnar pela segurança dos povos?

 

Uma ONU forte e mobilizadora contaria no seu exército com militares de todos esses 192 Estados. A União Europeia deveria possuir uma força militar própria e contribuir também com militares para os capacetes azuis. OS EUA já sabemos que em recursos de defesa estão bem equipados. A China é uma potência em crescendo. Outros países emergentes também poderiam dar um bom contributo. Com uma ONU forte, seriam precisas organizações como a NATO?

 

Pergunto eu novamente, para quê uma NATO, se poderíamos ter uma organização como a ONU, mais representativa dos povos e, porventura, mais respeitada. Não sou muito de ir para a rua manifestar-me, nem tampouco concordo muito com o “modus operandi” de algumas delas, mas que existem ali razões de protesto válidas e pertinentes, não tenho dúvidas.

 

Por isso, depois de uma Cimeira como a de Lisboa, em nada o meu orgulho Português cresceu. Tenho pena que andemos entretidos em reuniões balofas de conteúdo, mais preocupados em conservar o poder deste ou daquele, num clube restrito, em que agora até vai ter a colaboração da Rússia e, no fim de contas, só sirva para o benefício de poucos. Não nos esqueçamos que há milhões e milhões a morrerem à fome. Acabemos, pois, com estas excentricidades. Mas como a NATO, existem outras por aí. O G20 é talvez o expoente máximo do cinismo dominante que nos governa. Haja mais solidariedade, haja mais ONU.

 

E, para terminar, deixo só outra questão. Tantos governantes, tantos assessores, tantos políticos e fazedores de opinião e, poucas dessas vozes audíveis falam da questão: A NATO faz sentido no Século XXI?

 

Estarei eu a pensar numa barbaridade assim tão grande, sem sentido algum e desprovida de conteúdo? Haverá alguma clarividência nesta minha opinião?

 

Rui Luzes Cabral

22 de Novembro de 2010

01:04

Os Dois Milhões de Retorno e a chegada da Volta a Portugal a OAZ

Bem, ontem no facebook tentei indagar à empresa que fez o estudo em que se refere um retorno de 2 milhões que a Volta trouxe a Oliveira de Azeméis e parece que os nervos ficaram à flor da pele com um simples pedido de esclarecimento. Não compreendi.

 

Recordo que no dia em que os ciclistas cortaram a meta eu estava lá e de lá referi aos microfones da Azeméis FM que o evento é bom para o Concelho mas que também é preciso olhar sustentadamente para o concelho todo, freguesia a freguesia. É obvio que sei que houve retorno e que o mesmo não foi para o Algarve, foi para o nosso comércio, para a nossa hotelaria, para os nossos cafés e restaurantes, talvez para alguma indústria. Até aqui tudo bem.

 

A simples pergunta à empresa que fez o estudo e, se o fez saberá esclarecer, porque se baseou em dados concretos, é onde estão os 2 milhões de euros. O que gostaria de conhecer do estudo é por exemplo o seguinte: Por causa da Volta os restaurantes X, Y e Z facturam naquele período mais (um dado valor apurado) do que em período homólogo. O hotel A, a residencial x e o albergue k facturaram também mais (um dado valor apurado). O comércio teve um acréscimo em determinado valor. Isso tudo junto perfaz a quantia de 2 milhões de euros. O meu comentário de ontem não é uma crítica ou um elogio, é uma simples pergunta para perceber melhor o alcance de tal evento, ou seja, a chegada da Volta.

 

Quanto ao comentário do Paulo Oliveira, julgo que estas coisas não se devem balizar entre oposição e posição pois nem tudo o que a oposição critica valida o trabalho que está a ser feito, pois se invertêssemos esse pressuposto, tudo o que a oposição possa aplaudir à posição como seria de interpretar?

 

Voltando ao que perguntei ontem, alguém me pode esclarecer o estudo no sentido de entender por onde estão distribuídos os 2 milhões? Essa é que é a questão central e, por causa dela, não vamos inquinar o debate ou direccioná-lo noutro sentido.

 

Comentário colocado ontem no facebook: De acordo com a página da CMOAZ, a Volta a Portugal em Oliveira de Azeméis teve retorno de dois milhões de euros http://bit.ly/broBPo. Já agora, gostaria que a empresa que fez o estudo enumere quem foram as entidades ou empresas que lucraram com a volta e o que receberam cada uma.