Este blog é um espaço de debate e partilha de opiniões. Não te esqueças que o sustento do Homem provém da lavoura. Lança a semente, cultiva-a, ela te saciará...

11
Dez 14
1 Não fui marxista-leninista aos 18 anos nem maoísta aos 20, fui sempre, e monotonamente, qualquer coisa próxima da social-democracia — mas uma social-democracia a sério, como a que conheci nos países nórdicos nos anos oitenta. Também nunca fui liberal e nunca achei que “enriquecer é grandioso”, como o estatuiu, anos depois, o Partido Comunista Chinês. Tanta monotonia e brandura, atravessando agitados tempos de revolução e contra-revolução, ter-me-ia desde logo tornado irrecomendável para uma carreira política de futuro, se porventura alguma vez tal me tivesse tentado.  
 
Por conhecimento directo, enquanto jornalista, e por um mínimo de seriedade intelectual, jamais tive qualquer ilusão de que a colectivização da economia (só possível de estabelecer em regime ditatorial), pudesse trazer qualquer felicidade aos povos e bem-estar aos países. Em todos estes anos, e apesar de tudo o que se tem visto desde 2008 para cá, nunca achei sequer que a questão merecesse qualquer reflexão — a não ser do ponto de vista histórico, para tentar entender, ou ao menos para nunca esquecer, como é que foi possível que tamanha mistificação, às mãos da qual morreram dezenas de milhões de inocentes, pela fome ou pela repressão, foi possível ser caucionada por tantos, e alguns tão brilhantes, intelectuais. Assim, e sem quaisquer estados de alma, aceitei sempre o facto de que o único sistema que poderia garantir a prosperidade e a liberdade dos povos e das nações, era o da economia de mercado, fundada na livre iniciativa privada e no trabalho e assunção de riscos por conta própria e não na dependência ou para o Estado. Mas, porque também li Marx e aprendi com isso, nunca tive ilusões de que, como ele dizia, entregue a si próprio, o capitalismo devorar-se-ia e a tudo à roda. A função do Estado seria, então, a de evitar justamente que isso sucedesse, por duas vias: a regulação e vigilância do mercado e a justiça fiscal, para compensar e corrigir as desigualdades à nascença e proteger os pobres e os fracos contra a tentação do poder esmagador dos ricos e poderosos. Foi isso que vi nas sociais-democracias dos países nórdicos, e, até hoje, não vi nada que melhor pudesse garantir sociedades livres e justas.

A economia de mercado, o capitalismo, deu à Humanidade um século de prosperidade, de avanços científicos e tecnológicos e de justiça social jamais experimentada. Os desvios e abusos, que são uma fatalidade da natureza humana, eram corrigidos por um sindicalismo e uma imprensa livres, pelo papel de vigilante e redistribuidor de riqueza do Estado e, também pela existência de um código de honra nos negócios e de pudor no abuso do poder do dinheiro. Os fundamentos morais do capitalismo eram o facto de ele ser infinitamente mais produtivo e benéfico à economia do que qualquer outra alternativa, de ser regulado e vigiado e de exigir padrões de conduta em que o lucro não podia, jamais, ser o único fim. Creio ser historicamente justo situar nos anos de Ronald Reagan o início do desabar desse mundo e a entrada num outro mundo, tornado desregulado e vivendo em roda livre, onde a lei da selva e o lucro a qualquer preço passaram a imperar, sob o argumento da produtividade e da eficácia.

Se alguém ainda pudesse alimentar dúvidas, a crise nascida nos Estados Unidos em 2008, e rapidamente comunicada ao mundo inteiro, veio pôr a nu a falência económica deste caminho e as suas trágicas consequências. Milhões de homens perderam o seu emprego sem nada terem feito para tal, milhões de famílias foram remetidas para a miséria, milhares de empresas válidas foram exterminadas e os contribuintes foram espoliados como nunca para acorreram à banca e ao sistema financeiro, que tinham despoletado a crise com as suas práticas de pura pirataria. Acima de tudo, o que a crise revelou foi que a pirâmide que comandava o sistema assentava numa elite de bandidos internacionais, que se reúnem todos os anos em selectos fóruns onde combinam entre si a partilha do saque e cujas empresas lhes pagam fortunas pornográficas para apresentarem lucros, nem que sejam arrancados a sangue. Ou seja, que o sistema estava podre, abocanhado por gente sem qualquer sensibilidade social, sem qualquer preocupação de seriedade ou de ética nos negócios, movidos apenas por uma ambição sem limite nem vergonha.
 
A revelação do segredo de Polichinelo que é a existência de um país que, desde há pelo menos dez anos, não é mais do que um receptador de dinheiro roubado — o Luxemburgo — é só a última confirmação da podridão actual do grande capitalismo. Bem pode agora Jean-Claude Juncker garantir que vai trabalhar penitentemente para a harmonização fiscal na União Europeia. É como ter a raposa de guarda ao galinheiro: durante esses dez ou mais anos, ele foi primeiro-ministro desse país, acumulando até com o cargo de ministro das Finanças. Ou seja, e por mais que diga que nada sabia, como disseram os alemães depois da guerra, ele foi, se não o arquitecto, pelo menos o grande executor de uma fraude imensa que permitiu a 340 grandes multinacionais (entre as quais algumas que gostam de cultivar a imagem de terem preocupações sociais), roubar, descarada e vergonhosamente, os seus países e os respectivos contribuintes. Mas ele foi também, e em acumulação, presidente do Eurogrupo — onde se defenderam as políticas de austeridade que exigiram a países arruinados, como Portugal, que descesse os salários, que cortasse nos subsídios contra a miséria e que levasse o IRS até 53%, enquanto as multinacionais protegidas pelo Governo de Juncker pagavam no Luxemburgo 1%, 0,5% ou 0,25% de impostos. Mas que grande Europa, esta, que vai ser comandada por Juncker, onde a dívida não pode ser mutualizada nem em parte, onde as taxas de juro são baixas para os ricos e impossíveis para os pobres, e onde países da “União”, como o Luxemburgo, a Holanda ou a Irlanda, vivem em dumping fiscal, convidando as empresas dos outros a fingir que moram lá para não terem de pagar os impostos devidos nos seus países de origem! E que grande capitalismo este em que anualmente os governos gastam, entre incentivos financeiros e isenções fiscais, 550 biliões de euros a apoiar a indústria da gás e petróleo! Onde um banqueiro (por acaso, português e que eu não duvido que seja um excelente profissional) é premiado sumptuosamente e celebrado como um guru da gestão por ter salvo o Lloyds, à beira da falência, embora com o pequeno dano colateral de, para o conseguir, ter adoptado um plano de despedimento de 55.000 trabalhadores! Que grande capitalismo, este, em que quem mais despede, melhor gestor é, entre os seus pares!

2 A proximidade (!) de eleições, cega todos, mesmo os que tinham obrigação de, no mínimo, terem noção do ridículo. O ataque desenfreado lançado pela actual maioria a António Costa com um ano de avanço, tem conhecido episódios que ilustram bem o desespero em que navegam. Mas a questão inacreditável das taxas de um euro por dormida ou desembarque de turistas em Lisboa, ultrapassa tudo o que seria imaginável. De tal maneira que, enquanto defende no Parlamento o seu Orçamento do Estado, parece que tudo o que importa à maioria é discutir o orçamento municipal de Lisboa, para tentar fazer passar a ideia de que Costa (com a taxa de IMI mais baixa do país), é um amigo dos impostos. E isto, vindo de um Governo que rebentou com qualquer escala fiscal antes conhecida e que, entre outras coisas, subiu o IVA da restauração de 13 para 23% (e que assim o mantém, apesar da dor de alma presumida do ministro da Economia), ultrapassa o desaforo e atinge as raias da simples estupidez.

Miguel Sousa Tavares escreve de acordo com a antiga ortografia

Jornal Expresso SEMANÁRIO 2194, 15 de novembro de 2014
publicado por Rui Luzes Cabral às 14:33

03
Jul 11

António Freitas de Sousa  
01/07/11 (Diário Económico)

O desemprego na região está abaixo da fasquia dos 5% e as empresas andam activamente à procura de trabalhadores.

"Hermínio Loureiro, presidente da autarquia de Oliveira de Azeméis, fez a pergunta mas já sabia que era retórica: "Alguém se lembra de ver letreiros nas fábricas a pedir colaboradores?" Ninguém no País se lembra. A não ser que seja do concelho de Oliveira de Azeméis: a região tem uma taxa de desemprego abaixo dos 5% - que compara com os 12,6% do País - divulgada "pela União dos Sindicatos de Aveiro e por isso acima de qualquer suspeita". E, concluiu, há várias empresas à procura de colaboradores para preencher vagas.

É este clima, com tudo o que lhe está a montante e a jusante, que Hermínio Loureiro, ex-secretário de Estado do Desporto, quer ver transformado numa marca - aquilo a que os técnicos chamam ‘place branding'. A estratégia é simples: agregar em torno de um produto de marketing a vontade, a qualidade e a especificidade de uma região que de alguma forma se distingue do todo nacional - absorto no desemprego, na falta de competitividade e na carência de investimento produtivo. E o Fórum Cidades de Futuro Oliveira de Azeméis em parceria com o Diário Económico consubstanciava essa estratégia.

Presente nos trabalhos, João Braz Frade (presidente da My Brand) clarificou ao que vai quem quer construir um ‘place branding': a marca territorial gera investimento, impostos, novas receitas, turismo, aumenta a competitividade regional e, por último mas não em último, "motiva os cidadãos" e inspira-lhes forças para unificar determinada sociedade em torno de um projecto."

 

 

‘Place branding'?

Contra factos não há argumentos. Esta foto mostra-nos um pequeno exemplo da pesada herança que sucessivos "governos autárquicos" nos têm vindo a deixar  na cidade.

De nada valerá argumentar que temos baixos níveis de desemprego (algo que tem dependido fundamentalmente do dinamismo do tecido empresarial) e oferecemos boas condições de vida, pois a realidade evidencia o contrário e, infelizmente, assusta e afasta quem nos visita.

publicado por Manuel Alberto Pereira às 16:49

21
Mar 11

As recenseadoras de Loureiro, que acabaram este fim-de-semana a distribuição dos questionários, estão esta semana na Junta de Freguesia, entre as 10:00 e as 19:00 Horas, sem interrupção na hora de almoço, para ajudar no preenchimento dos questionários.

 

Hoje, 21 de Março é o DIA CENSITÁRIO, ou seja, o preenchimento dos questionários devem ter como referência quantos somos hoje, onde estamos e como vivemos. É como que “congelar” o país neste momento, como que, “fotografar” a realidade conforme ela está neste dia.

 

E porque é isso importante para Portugal? É a partir dos dados recolhidos que melhor se pode pensar o país, melhor se pode organizar o território, melhor se pode distribuir os fundos pelas diversas regiões, municípios e freguesias.

 

Colabore, Portugal agradece…

 

Texto retirado de www.junta-freg-loureiro.com

publicado por Rui Luzes Cabral às 11:47

20
Fev 11

Ou um outro "olhar" sobre o papel das escolas...

 

 

 

 

publicado por Manuel Alberto Pereira às 13:10

12
Jun 10

António Câmara, CEO da YDreams, é um daqueles portugueses que devemos ouvir com atenção.

Além da sua curta entrevista na revista Visão desta semana, sobre a sua própria visão da escola do (com) futuro, é preciso perceber por que motivo António Câmara considera Portugal um bom sítio para se trabalhar e desenvolver projectos com futuro.

Sem ser bacoco, dá-nos algumas "lições" de como nos devemos posicionar no mundo e é também uma boa "injecção" de patriotismo.

 

 

publicado por Manuel Alberto Pereira às 11:01

08
Abr 10

Como é habitual, aproveitei as curtas "férias" da Páscoa para visitar Viana do Castelo, onde tenho familiares.

É uma cidade simpática e que, há pouco mais de 20 anos, apesar da sua localização junto ao litoral estava muito isolada e parecia mesmo "fechada" sobre si própria.

Tive o privilégio de ver as mudanças sucederem-se a um ritmo verdadeiramente "alucinante", em particular nos últimos 15 anos.

Coincidência ou não, essas mudanças coincidiram com a vitória do (polímico) ex-presidente da câmara socialista Defensor de Moura (actualmente deputado da AR).

Para a história ficam exemplos de decisões arrojadas para a época (há mais de década e meia) que, contra opiniões de "velhos do Restelo", levaram a que fosse criado um extenso parque de estacionamento subterrâneo, ao longo de uma das maiores avenidas de Viana (nas fotos, com o templo de Stª Luzia, no alto, e o Rio Lima, lá ao fundo), permitindo a criação de condições para que uma série de zonas pedonais se transformassem num grande "shoping ao ar livre", onde muitos forasteiros e turistas (principalmente espanhóis), animam ruas e lojas.

Sem dúvida um bom exemplo a seguir, principalmente por quem tem o poder de decidir quais as opções estratégicas para o desenvolvimento de uma cidade.

publicado por Manuel Alberto Pereira às 20:29

19
Fev 10

 

Clique nas imagens para aumentar

publicado por Rui Luzes Cabral às 18:07

11
Fev 10

Há dias lembrei aqui os ditados populares portugueses e, como referi, o prazer que temos em usá-los.

Agora lembro Confúcio, porventura o filósofo Chinês mais influente na cultura oriental.

O que acham de frases como esta: "Ao examinarmos os erros de um homem, conhecemos o seu carácter"?

Podem ver mais aqui. Bom proveito!

publicado por Manuel Alberto Pereira às 19:32

09
Fev 10

Há um grande debate na comunicação social em Portugal, sobre a liberdade de expressão e sobre as pretensas ameaças de se tentar calar alguns jornalistas ou mudar o estilo de alguns programas, que possam ser críticos para com o Governo.

 

Não vou fazer julgamentos sobre isso, pois não tenho dados suficientes para avaliar o que se passa, verdadeiramente. Mas há uma coisa que sei e que tenho constatado por aí, por esses concelhos do país, da qual alguns, vou conhecendo a realidade local.
O que se passa por parte do poder instalado, seja ele, o partido que for, é talvez mais preocupante do que se passa a nível dos órgãos de comunicação social, ditos de abrangência nacional. Só que sobre isso ninguém diz uma palavra. É que muitos jornais e rádios locais sobrevivem e servem quem está no poder e vão-se adaptando às mudanças que entretanto surgem, como o camaleão.
Não sei como andam por aí tantas “virgens ofendidas”, clamando contra a “claustrofobia democrática”, esquecendo-se que o país não é só Lisboa, que os políticos não são só os do Governo e que a democracia que se exige e merece, tanto deve ser um dado adquirido na mais pequena aldeia, como na grande capital.

Um dos grandes defeitos dos portugueses é a falta de “vaidade” no seu país, na sua gente. Os outros são sempre, ou quase sempre, melhores que nós. Basta ouvir e ler a comunicação social, quase todos os dias, para perceber essa triste doença Lusa: o da baixa auto-estima.

 

Fica aqui um pouco de esperança.
publicado por Rui Luzes Cabral às 10:12

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