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QUANDO NOVEMBRO NOS ENTRA EM CASA

por Rui Luzes Cabral, em 25.11.07

1. O tempo em que vamos parece o de Thomas Hobbes, quando, em 1651, deixou escrito no seu famoso Leviatã, que «tudo o que existe tem três dimensões, a saber, comprimento, largura e altura, e aquilo que não tem três dimensões não existe nem está em parte alguma»[1]. Com este procedimento, Hobbes, e alguns dos nossos contemporâneos com ele, reduzem o homem a um objecto, sem alma nem emoções, sem alegria nem tristeza, sem encanto e sem sonho, sem Deus. É um homem à medida do cadáver, e um mundo à medida do cemitério, tudo formatado e tresandando a amoníaco. É o mundo do «dois vezes dois são quatro», de que fala Dostoievski nos seus Cadernos do Subterrâneo, acrescentando logo, em jeito de confissão: «O homem sempre teve medo deste dois vezes dois são quatro, e eu também tenho»[2].

 

2. Na esteira do grande escritor russo, vale a pena mostrar aqui um extracto das recentes e densas análises de O Método, de Edgar Morin: «O dogma da simplificação que contém a morte continua a impor-se por aí como verdade científica (...), e continua a rejeitar para fora do saber aquilo que resiste ao seu controlo. E os defensores deste dogma – continua Edgar Morin – vêem-nos como miseráveis, pedintes, esgadanhando os dejectos das suas lixeiras». E acrescenta depois de forma contundente: «Num sentido, eles têm razão: nós queremos recuperar e reciclar os dejectos que a sua ciência expulsa: não apenas o incerto, o impreciso, o ambíguo, o paradoxal, a contradição, mas também o ser, a existência, o indivíduo, o sujeito. Julgam deitar fora os excrementos do saber: não sabem que atiram para o lixo o ouro do tempo»[3].

 

3. Nada de novo. Seis séculos a. C., já o filósofo grego Heraclito deixava escrito, no seu Fragmento 9, que «Os burros preferem a palha ao ouro». E já no nosso tempo, Martin Heidegger, debruçando-se, nos seus Ensaios e Conferências, sobre a referida sentença de Heraclito, pôde lê-la para nós, explicitando que este «ouro» depreciado é «O brilho não visto da claridade, e não se deixa agarrar, porque ele próprio não agarra»[4], porque não é do domínio da posse, não obedece à regra das três dimensões.

 

4. Anda hoje outra vez por aí muito badalada a cultura das três dimensões. E é nesse sentido que dos hospitais se pretende retirar os capelães, porque aos doentes, reduzidos a três dimensões, bastam os cuidados técnicos que lhes são prestados por técnicos, da mesma forma que das escolas se pretende retirar os símbolos religiosos, porque às crianças basta o alfabeto, a tabuada e a fita métrica, e a Igreja deve ser marginalizada, silenciada e banida como verdadeira fonte de ignorância, dado que o que diz e faz está para além das três dimensões, e já se decretou que o que não tem três dimensões não existe nem está em parte alguma.

 

5. Mas Novembro entra-nos outra vez em casa. E, não se sabe bem porquê, também os defensores da cartilha das três dimensões aparecem a visitar o cemitério e a depor flores nos túmulos dos seus familiares e amigos. E até, muito provavelmente, entrarão em alguma Igreja. Novembro é habitado por um silêncio cortante. Um silêncio que nunca se calou. E as flores, carregadas de sentido, mas silentes, são sempre as últimas a deixar o cemitério. Sim, porque, que se saiba, o sentido nunca faz barulho. Um texto, por exemplo, é letra e som. Mas quando o interpretamos, não é a letra e o som que captamos, mas o sentido que habita essa letra e esse som. Afinal, por mais esforço que se faça, não é possível reduzir o homem a três dimensões. Há sempre uma flor ou uma lágrima, cujo sentido se chama amor, e que não é redutível a três dimensões.

 

6. Novembro lembra-nos outra vez que passamos muito tempo e que talvez gastemos até muitas energias a deitar para o lixo o ouro do tempo! Lembra-te, meu irmão de Novembro, que és pó e amor. E o amor não volta ao pó.

 

António Couto

 

[1] Th. HOBBES, Leviathan, or the Matter, Form and Power of a Commonwealth, Ecclesiastical and Civil, Londres, Andrew Crooke,  1951, Cap. 46, cit. por J. THROWER, Breve História do Ateísmo Ocidental, Lisboa, Edições 70, 1982, p. 95. Ver agora, em edição portuguesa, Th. HOBBES, Leviatã ou matéria, forma e poder de um estado eclesiástico e civil, Lisboa, Imprensa Nacional-Casa da Moeda, 3.ª ed., 2002, p. 498.

[2] F. DOSTOIEVSKI, Cadernos do Subterrâneo, Lisboa, Assírio & Alvim, 2000, p. 51 e 55.

[3] E. MORIN, O Método. 2. A vida da vida, Lisboa, publicações Europa-América, s/d, p. 362-363.

[4] M. HEIDEGGER, Essais et Conférences, Paris, Gallimard, 7.ª ed., 1958, p. 340-341.

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publicado às 13:06

Festas Pascais

por Rui Luzes Cabral, em 11.04.07

No Domingo de Páscoa a comunidade cristã de Loureiro celebrou também com intensidade e alegria o mistério da ressurreição de Cristo. a Notícia do loureiron-line aqui.

 

 

 

 

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publicado às 12:28

Páscoa

por Rui Luzes Cabral, em 08.04.07

Desejo a todos vós, uma boa Páscoa. Independentemente de sermos crentes ou não, esta altura poderá ser aproveitada para um certo rejuvenescimento físico e interior. E como se vê na crescente movimentação de pessoas nesta época do ano, à procura de miniférias, mudam-se os tempos e neste caso, pouco mudaram as vontades ou as necessidades, ou seja, a Páscoa continua a ser um “marco” temporal de cada ano, pelas mais diversas razões, pelas mais saudáveis tradições, pelas mais profundas convicções. Alguns querem transformar o Homem numa máquina, ou então esvazia-lo de qualquer transcendentalidade, mas são logo traídos por esta complexidade de células unidas, que muitos acreditam ser obra do acaso, outros de um Ser Superior. Onde estará a chave para este enigma? Um abraço amigo.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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publicado às 01:04

Sexta-Feira Santa - Paixão do Senhor

por Rui Luzes Cabral, em 06.04.07

Hoje, Sexta-Feira Santa, celebra-se a Paixão do Senhor. Um dia para nos recolhermos interiormente e para prepararmos a grande celebração da Ressurreição. A Páscoa está a chegar e temos mais uma oportunidade de sairmos do frio do Inverno para as novas pastagens que nos traz a Primavera, assim estejamos dispostos a entrar numa “vida nova”… Ele sacrificou-se por nós. E nós, estamos também disponivéis para nos “sacrificarmos” pelos outros?

 

 

 

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publicado às 15:16

Quinta-Feira Santa

por Rui Luzes Cabral, em 05.04.07

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João
Antes da festa da Páscoa, sabendo Jesus que chegara a sua hora de passar deste mundo para o Pai, Ele, que amara os seus que estavam no mundo, amou-os até ao fim. No decorrer da ceia, tendo já o Demónio metido no coração de Judas Iscariotes, filho de Simão, a ideia de O entregar, Jesus, sabendo que o Pai Lhe tinha dado toda a autoridade, sabendo que saíra de Deus e para Deus voltava, levantou-Se da mesa, tirou o manto e tomou uma toalha, que pôs à cintura. Depois, deitou água numa bacia e começou a lavar os pés aos discípulos e a enxugá-los com a toalha que pusera à cintura. Quando chegou a Simão Pedro, este disse-Lhe: «Senhor, Tu vais lavar-me os pés?». Jesus respondeu: «O que estou a fazer, não o podes entender agora, mas compreendê-lo-ás mais tarde». Pedro insistiu: «Nunca consentirei que me laves os pés». Jesus respondeu-lhe: «Se não tos lavar, não terás parte comigo». Simão Pedro replicou: «Senhor, então não somente os pés, mas também as mãos e a cabeça». Jesus respondeu-lhe: «Aquele que já tomou banho está limpo e não precisa de lavar senão os pés. Vós estais limpos, mas não todos». Jesus bem sabia quem O havia de entregar. Foi por isso que acrescentou: «Nem todos estais limpos». Depois de lhes lavar os pés, Jesus tomou o manto e pôs-Se de novo à mesa. Então disse-lhes: «Compreendeis o que vos fiz? Vós chamais-Me Mestre e Senhor, e dizeis bem, porque o sou. Se Eu, que sou Mestre e Senhor, vos lavei os pés, também vós deveis lavar os pés uns aos outros. Dei-vos o exemplo, para que, assim como Eu fiz, vós façais também».
Palavra da salvação.

 

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publicado às 16:10

Um Feliz e Santo NATAL

por Rui Luzes Cabral, em 23.12.06

Fotos Presépio ao Vivo do TAL - Teatro Amador de Loureiro em S. João da Madeira - Natal 2006

 

“Um Anjo do Senhor apareceu-lhes, e a glória do Senhor refulgiu em volta deles; e tiveram muito medo. O Anjo disse-lhes: “Não temais, pois anuncio-vos uma grande alegria, que será para todo o povo: Hoje na cidade de David, nasceu-vos um Salvador, que é o Messias Senhor. Isto vos servirá de sinal: encontrareis um menino envolto em panos e deitado numa manjedoura.” Lc 2, 9-12

 

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LEITURA I – Miq 5,1-4a

Leitura da Profecia de Miqueias

Eis o que diz o Senhor:
«De ti, Belém-Efratá,
pequena entre as cidades de Judá,
de ti sairá aquele que há-de reinar sobre Israel.
As suas origens remontam aos tempos de outrora,
aos dias mais antigos.
Por isso Deus os abandonará
até à altura em que der à luz
aquela que há-de ser mãe.
Então voltará para os filhos de Israel
o resto dos seus irmãos.
Ele se levantará para apascentar o seu rebanho
pelo poder do Senhor,
pelo nome glorioso do Senhor, seu Deus.
Viver-se-á em segurança,
porque ele será exaltado até aos confins da terra.
Ele será a paz».

 

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Votos de um Feliz e Santo Natal para todos vós. Um Natal verdadeiro que não se resuma só às compras e às festas mas também à percepção de que o Mundo está carente de mais solidariedade, mais justiça entre os povos, mais preocupação com a Natureza, mais respeito pelo outro enquanto individuo e não como mais uma peça da "máquina global".

 

Enfim, um Natal em que o "Nascimento" seja realmente para dar vida a algo melhor.

 

BOAS FESTAS e BOM ANO DE 2007.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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publicado às 13:17

Dois extractos de um mesmo texto

por Rui Luzes Cabral, em 05.09.06

1 - ”Na homilia, o pároco Nuno Pereira alertou para o facto dos cristãos deverem viver de acordo com o que está implícito nos dez mandamentos, uma vez que, estes “são, ainda, válidos e eficazes”. No entanto, os ensinamentos de Cristo não deverão ser entendidos como uma regra ou um padrão, mas sim como uma “pedagogia para a liberdade”. O cristão deve, então, praticar a justiça, vivendo “sem manchas e sem ultrajar o seu semelhante”.
O caminho para a perfeição “não pode ficar somente nas letras e nas boas intenções”. Assim sendo, “de que vale tanto rezar se no nosso coração permanecem maus pensamentos?”, interrogou o sacerdote, apelando aos cristãos que continuem a procurar e a seguir o caminho da fé, segundo o Evangelho. Ora, “não é a lei que Deus nos dá para cumprir que nos escraviza, mas sim algumas das nossas acções”, continuou o novo pastor, afirmando que “precisamos de purificar o amor ao próximo e a Deus, ao caminhar como homens e mulheres livres”. (Texto Retirado do Jornal Correio de Azeméis de 05 Setembro 2006)

 

O novo Padre que foi nomeado para Loureiro em Julho passado, rezou este Domingo (3 de Setembro) pelas 16 horas a sua primeira Eucaristia como o novo Pároco da Freguesia. No texto acima pode ler-se excertos da sua homilia que apreciei bastante. Uma mensagem profunda retirada da simplicidade dos textos bíblicos que nos leva a reflectir no papel do Católico nos dias de hoje e a ligação da sua prática religiosa ao cumprimento dos dez mandamentos. Será que no dia-a-dia estas duas realidades caminham juntas? É isso que necessitamos de retrospectivamente questionar a nós próprios…

 

Parabéns Padre Nuno Pereira!

 

Que Loureiro o saiba acolher no futuro como o fez no primeiro dia.

 

 

2 - “Os habitantes de Loureiro estão confiantes quanto à chegada do novo pároco à freguesia. A sua jovialidade é encarada como uma mais-valia para a paróquia.”

 

Esta é a primeira frase com que o Correio de Azeméis desta semana inicia a notícia da chegada do Padre Nuno Pereira à Paróquia de S. João de Loureiro. Eu assino por baixo. Sei que a “velhice é um posto” como diz o ditado mas há que dar também oportunidade aos jovens…

 

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publicado às 23:11

Ultima Eucaristia como Pároco de Loureiro

por Rui Luzes Cabral, em 27.08.06

 

Hoje o Padre Belmiro Pinho que Paroquiou a Freguesia de Loureiro durante os últimos 34 anos, celebrou a ultima Eucaristia como Pároco Loureirense às 09:30 horas. Emocionou-se no discurso que substitui a Homilia e foi agraciado no fim pelos paroquianos. A sua irmã Cacilda, que o tem acompanhado sempre, também não foi esquecida. O loureiron-line brevemente dará conta dos pormenores. Para já ficam duas fotos.

Na Acção de Graças, António Silva leu o seguinte poema, de sua autoria.

 

Pela amizade que nos tem,

Pelos nossos valores que aumenta

Pela nossa fé que alimenta…

Pelo pão de Amor que repartirmos…

Pelo silêncio que diz quase tudo.

Pela presença em todos os momentos…

Por ser presente mesmo quase ausente.

Por ser feliz quando nos vê contentes…

Por esse olhar que diz: “Amigo, vai em frente!”

Por ficar triste quando estamos tristonhos.

Por rir connosco quando estamos risonhos…

Por nos repreender quando estamos errados,

Por nossos segredos bem guardados…

Por nos mostrar Deus a cada instante,

Por este Amor Fraterno tão constante…

Por tudo isto e muito mais nós dizemos:

Deus o abençoe, nosso Padre Amigo.

  

Agora a “cadeira” está vaga. No próximo Domingo, dia 03 de Setembro, pelas 16 horas vai ser “ocupada” pelo Pe. Nuno Miguel dos Santos Silva Pereira que foi ordenado no passado dia 9 de Julho na Sé Catedral do Porto.

 

Quem se quiser juntar à festa pode-se inscrever no Mini-Mercado Bastos ou na Papelaria Progresso e assim participar no lanche convívio que acolherá o novo Pároco.

 

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publicado às 22:59

Dois Sacerdotes que tentam imitar Jesus Cristo

por Rui Luzes Cabral, em 18.07.06

 Padre António Couto (Esq.) e Padre António Tavares da Silva (Direita)

 

No passado domingo à tarde, dia 9 de Julho, na Igreja Matriz de Loureiro, o Padre António Tavares da Silva festejou as suas Bodas de Ouro Sacerdotais. Uma Celebração Eucarística muito rica que contou com a presença de mais de duas dezenas de padres, alguns seus colegas na Sociedade Missionária da Boa Nova como é caso do seu Superior-Geral, Padre António Couto e outros de paróquias Oliveirenses. Estiveram também presentes familiares, amigos e representantes das entidades oficiais.

Uma Vida de Missionário recheada, primeiro em Moçambique e agora no Brasil onde está há mais de 25 anos e para onde tenciona voltar. Para mais informações sobre esta comemoração consultar em

http://www.correiodeazemeis.pt/?op=artigo&sec=45c48cce2e2d7fbdea1afc51c7c6ad26&subsec=&id=31ab328e47c4ea3fe3015eb7eaa59af9

 

 

 

Também há pouco tempo (1 de Julho) mas na Vila de Avanca, o Padre António Valente de Matos, fundador do Movimento dos Convívio Fraternos e ainda seu director, comemorou também as suas Bodas de Ouro Sacerdotais. Foram centenas, os jovens Loureirenses que desde a década de sessenta foram participando nestes retiros espirituais que presentemente se realizam em todas as Dioceses Portuguesas e também noutros países, como é o caso de França, Moçambique, Brasil, etc. ... Há cerca de dez anos fundou também uma instituição para tratamento de toxicodependentes ligada ao movimento, transformando assim a sua vida numa constante entrega aos outros que merece aqui ser assinalada.

 

Padre António Valente de Matos

 

Um bem-haja e parabéns a estes dois seguidores de Cristo…

 

 

 

 

 

 

 

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publicado às 19:23


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