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Donde vem a crise da Escola?

por Rui Luzes Cabral, em 22.11.07

O nosso sistema escolar passa por um período de forte controvérsia, em todos os seus níveis. A Escola já não é o que era, diz-se. Fazer todo o percurso da escolaridade não garante uma saída na vida. Por isso, uma grande percentagem de jovens abandona precocemente o ensino. Um grande número dos que chegam ao fim da formatura encontra-se sem trabalho ou vê-se perante a necessidade de emigrar para outros espaços onde a formação académica é mais valorizada. O nosso Estado investe uma quantia considerável de recursos na Escola. Mas, perante os factos, esse investimento é, em boa medida, um investimento desfocado. Será apenas um problema de circunstância ou será algo mais? Cremos que é algo mais. Parece que a crise da escola é, mais profundamente, uma crise da própria cultura moderna.


A escolarização foi pensada nos últimos dois séculos num horizonte racionalista, instrumental e elitista. A função da Escola é pôr no terreno o ideal de conquista que o género humano prossegue em relação aos determinismos. Através da sua razão, a humanidade conquista a matéria e o espaço, domina a natureza e os animais, inova os procedimentos para chegar aos seus objectivos, domina os mercados, numa palavra, melhora a vida. A Escola torna competente para este complexo ideal.

Mas podemos perguntar: a Escola moderna preocupa-se com mudar o ser humano, tornando-o mais humano, mais convivente com o seu semelhante, mais integrado no mundo? Isso é mais discutível. O que vimos primeiro foi uma Escola que formou elites que se distanciaram dos outros, tendo melhores lugares, mais ganho, mais qualidade. O que vemos agora que a escola se massificou é uma falta de sentido para a própria escolaridade.

Os mais lúcidos dos nossos contemporâneos interrogam-se sobre os motivos que levam a Escola a reproduzir o modelo social vigente e a ter perdido o seu carácter inovador de cultura e de avanço em humanismo.

Parece que o motivo é este que se acaba de ver: a Escola instrumentalizou-se, funcionalizou-se. É capaz de formar pessoas competentes para muitas funções, mas não é capaz de formar seres humanos mais próximos do seu semelhante, mais integrados na natureza e, porque não dizê-lo, mais crentes e bem situados perante a Transcendência.

O positivismo que comanda a Escola pelo menos desde o século XIX está na origem da sua crise dos nossos dias. Por isso, o ambiente escolar não melhora a sociedade nem o cidadão. Há muito que nos desiludimos daquela velha máxima segundo a qual abrir uma escola é fechar uma cadeia. Isto é mais visível quanto à Escola estatal. Mas é-o igualmente, embora em menor medida, em relação ao ensino não estatal, pois tudo é planeado pelo Estado omnisciente em que vivemos.

A revisão da cultura moderna a que se assiste em alguns sectores do pensamento dito pós-moderno tem virtualidades para pensar a Escola de outra maneira, igualmente eficaz, e mais apta a crescer em humanismo e não apenas em competências técnicas. Assim as instâncias mais responsáveis da nossa sociedade e da nossa política fossem capazes de se sentar à mesa para pensar o que diz respeito a todos, em vez de se encresparem a discutir se a Escola deve ser laicista ou deve ser confessional.

 

Jorge Teixeira da Cunha – Voz Portucalense , 14/11/2007

 

 

 

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publicado às 18:08

De roupa domingueira

por Rui Luzes Cabral, em 08.11.07

Se existe beleza,

Alguma,

Profunda.

É ao domingo

No adro,

Na igreja,

Nas conversas,

Nos cigarros escondidos dos jovens.

E lá vem de roupa domingueira,

O Zé e o Manel,

A Maria e a Manuela.

Bicicleta,

Motorizada,

A pé

Ou de carro.

Quase muitos,

Vêm e vão,

Falam e riem.

Namoram e missionam

E depois vão ou foram então à Eucaristia.

 

22 de Fevereiro de 2000

02:58

 

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publicado às 23:51

Kant, "o meu" filósofo...

por Rui Luzes Cabral, em 31.10.07

"A ciência é o conhecimento organizado. A sabedoria é a vida organizada."

Immanuel Kant, filósofo alemão (1724 - 1804)

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publicado às 00:01

Início do Ciclo de Teatro do TAL

por Rui Luzes Cabral, em 30.10.07

Foto da primeira peça a subir a palco no XV Ciclo de Teatro do TAL. O Grupo Mérito Dramático Avintense, com "Filho És, Pai Serás" (Drama) numa abordagem mais clássica do texto e da encenação deixou satisfeitos a maior parte daqueles que encheram o Auditório da Junta de Freguesia de Loureiro no passado Sábado à noite. Este Sábado apareça novamente que há mais teatro, desta vez uma comédia.

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publicado às 12:57

XV CICLO DE TEATRO DO TAL

por Rui Luzes Cabral, em 23.10.07

Vai arrancar mais uma edição do Ciclo de Teatro do TAL, a realizar na Vila de Loureiro. O Teatro Amador de Loureiro, organizador do evento dá seguimento a uma tradição já bastante enraizada no panorama cultural loureirense. Este ano o ciclo tem inicio já no próximo Sábado, dia 27 de Outubro no Auditório da Junta de Freguesia de Loureiro, às 21:45 horas e prolongar-se-á até ao dia 17 de Novembro.

 

● 27 de Outubro - Grupo Mérito Dramático Avintense- com "Filho És, Pai Serás" (Drama)
- 03 de Novembro - Grupo de Teatro Amador Camiliano- com "Patologia do Casamento" (Comédia)
10 de Novembro - Companhia Teatral de Ramalde- com "A Pátria das Camélias" (Farsa Ligeira)
17 de Novembro - Teatro Experimental Intervenção de Alvarim- com "Não se Paga! Não se Paga!..” (Comédia)

 

Estão convidados todos os Loureirenses a participarem neste que é o festival de teatro mais regular e antigo do concelho.

 

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publicado às 22:06

Cooperativa Eléctrica de Loureiro na Net

por Rui Luzes Cabral, em 13.10.07

Como é do conhecimento de todos, as ultimas eleições para a Cooperativa Eléctrica de Loureiro, em Março deste ano, foram um pouco traumáticas para alguns e deixaram até algumas feridas. Resquícios dos maus perdedores e dos maus ganhadores pois de ambos os lados da barricada há sempre quem teime em prolongar o que por natureza deve terminar na contagem dos votos. Por mim, que dei o meu contributo sendo elemento de uma das listas candidatas (a perdedora), tudo nesse dia se consumou. Foi a “festa da democracia”, para utilizar uma expressão há dias referida por José Sócrates.

 

Apesar de alguns excessos, que sempre acontecem nestas disputas eleitorais, foi melhor assim do que a “pasmaceira” que eram os plebiscitos anteriores de entronização do líder. Nunca havia oposição formal, talvez porque não era convidada por carta ou porque simplesmente não ousava colocar as suas ideias e o seu tempo livre ao serviço de uma grande instituição loureirense.

 

O que aconteceu foi globalmente positivo porque injectou mais brio, mais organização, mais preocupação em mostrar trabalho por parte da lista vencedora e que agora governa. Isso tem-se feito sentir em algumas medidas já tomadas ou em vias de serem realizadas. Saliento aqui de forma particular a capacidade que os elementos mais jovens vieram trazer à actual direcção da instituição. Afinal “Deus escreve direito por linhas tortas”…

 

E é mesmo isso de que vos venho hoje aqui dar nota. De uma das faces visíveis desse trabalho que está a ser realizado, ou seja, o lançamento da primeira página na Internet da cooperativa (www.celoureiro.com), onde podemos aceder a diversas informações e ficarmos ao corrente das actividades que estão a decorrer. Continuação de bom trabalho.

 

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publicado às 23:42

Assembleia de Freguesia de Loureiro

por Rui Luzes Cabral, em 01.10.07

Conforme convocatória, vai realizar-se uma Assembleia de Freguesia de Loureiro, para uma reunião ordinária, no próximo dia 02 de Outubro (Terça-Feira), pelas 21:30 horas, no Salão da Junta de Freguesia de Loureiro, com a seguinte Ordem de Trabalhos:

1 - Período Antes da Ordem do Dia - Assuntos gerais de interesse para a freguesia;

2 - Alteração ao Orçamento e Plano Plurianual de Investimentos (PPI) de 2007;

3 - Período de intervenção do público.

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publicado às 17:17

“Para que a ciência não seja a minha religião”

por Rui Luzes Cabral, em 23.09.07

“Quando a conheci, ela já tinha decidido. Era muçulmana. “É a religião mais científica”, explicou. Ainda tentei confundi-la: “Se acreditas na ciência, para que precisas de uma religião?” Mas Odeta tinha estudado bem a matéria. “Para que a ciência não seja a minha religião”, respondeu”.

 

Este extracto de um artigo de Paulo Moura com o titulo “O Deus de Odeta”, vindo no Jornal Público de 16 de Setembro, pág. 46 é a meu ver de uma grande profundidade, embora utilizando palavras simples. Não é uma argumentação, nem tão pouco uma justificação. Julgo que é uma constatação de um facto: “Nem só de pão vive o Homem…”

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publicado às 16:56

Raparigas constipadas…

por Rui Luzes Cabral, em 03.09.07

“Em Agosto, eu era uma das muitas crianças ou adolescentes que rodeavam uma significante maioria de jovens em idade nubente; em Setembro, desapareciam os da casa dos 20 e ficávamos só os que estávamos a mudar de idade. Já sabia que as raparigas eram diferentes dos rapazes, como imaginarão. Mas descobri-o – o que me manteve intrigado durante dois ou três anos – que as raparigas, quer as de 13 quer as de 23 anos, se constipavam sempre duas vezes por verão e nesses dias não iam à praia. À tarde, não me recordo de as ver espirrar ou assoar-se. Mistérios dos anos 40-50, longe ainda vinha o progresso…." João Bénard da Costa, no Público de 2 de Setembro de 2007, pág. 13 do suplemento P2

 

João Bénard da Costa escreve todos os Domingos no Público onde assina uma crónica denominada “Casa Encantada”. Ontem escreveu sobre “Setembros de Antigamente” e às tantas, por entre palavras nostálgicas que retratam um passado talvez distante, encontrei estas, acima descritas, que agora já nos parecem estranhas. Uma beleza da escrita que resolvi partilhar.

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publicado às 21:07

O silêncio dos bons...

por Rui Luzes Cabral, em 29.08.07

“O que mais preocupa não é o grito dos violentos, nem dos corruptos, nem dos desonestos, nem dos sem carácter, nem dos sem ética. O que mais preocupa é o silêncio dos bons!” Martin Luther King

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publicado às 14:25


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