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"Era o supremo encanto da merenda"

por Rui Luzes Cabral, em 16.07.08

De Tarde

Naquele pic-nic de burguesas,
Houve uma coisa simplesmente bela,
E que, sem ter história nem grandezas,
Em todo o caso dava uma aguarela.

Foi quando tu, descendo do burrico,
Foste colher, sem imposturas tolas,
A um granzoal azul de grão-de-bico
Um ramalhete rubro de papoulas.

Pouco depois, em cima duns penhascos,
Nós acampámos, inda o sol se via;
E houve talhadas de melão, damascos,
E pão-de-ló molhado em malvasia.

Mas, todo púrpuro, a sair da renda
Dos teus dois seios como duas rolas,
Era o supremo encanto da merenda
O ramalhete rubro das papoulas.

Cesário Verde (1855 - 1886)

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publicado às 02:27


2 comentários

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De Carlos Marques a 18.07.2008 às 19:11

(continuação cerca de 120 anos depois...)

Começara a anoitecer
E assim poderia continuar
O nosso desejo a crescer
Esquecendo o apetite de jantar.

Fomos para casa numa saltada
Já o sol não se via
A noite estava instalada
E os gemidos dela sentia.

Note longa que predura
Que jamais quero ignorar
Pena que mais não dura
Porque acabo de acordar!

Carlos Marques
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De Rui Luzes Cabral a 18.07.2008 às 22:52

Sei que és o "homem-das-sete-artes" mas não sabia que também eras poeta. Sim senhor, não está mal. Afinal o que é a vida senão uma constante poesia. se não é deveria ser.

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