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Este blog é um espaço de debate e partilha de opiniões. Não te esqueças que o sustento do Homem provém da lavoura. Lança a semente, cultiva-a, ela te saciará...

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02.10.06

AS NOSSAS FESTAS E ROMARIAS

Rui Luzes Cabral

Já várias pessoas se têm referido ao facto de cada vez mais, em Loureiro, não existir um interesse efectivo pela participação nas nossas festas em honra dos diversos Santos, festejados na paróquia. Não vou estar aqui a teorizar em profundidade sobre as razões pelas quais isso sucede, aplaudindo os resistentes e organizadores actuais dos eventos ou recriminando os que há anos se afastaram de participar.

Excluindo deste rol, o “Arraial da Páscoa”, as restantes manifestações, dividem-se na celebração religiosa e na festa pagã, chamemos-lhe assim. Apesar de as duas se complementarem no plano festivo, pouco ou nada as une em outros planos. Uma pode alimentar o espírito, a outra diverte, simplesmente.

 

Presentemente e, cada vez mais, talvez se assista em certas sociedades a uma maior uniformização da vivência diária dos povos. Há anos atrás, na aldeia, na vila e até mesmo na cidade, com as festas pagãs, com as celebrações religiosas e com as festas mistas (pagãs e religiosas), eram decerto maiores as “quebras” no dia-a-dia das pessoas. Não querendo fazer uma análise redutora da actual realidade, hoje a grande festa (se é que existe e tem para os povos essa real importância) vive-se de outra forma, talvez no Shopping ou pura e simplesmente não existe. E quando não existe as famílias vivem cada vez mais enclausuradas entre o trabalho versus casa, não conhecendo, ou melhor dizendo, não vivendo em comunidade com os restantes vizinhos do prédio que habitam. É a sociedade a mudar, à procura de novas distracções, de novos conceitos de família, de novas “felicidades”.

 

Nesse sentido e, porque o Homem no presente (não quer dizer que o continue a ser no futuro) é cada vez mais individualista, a maioria das nossas festas tradicionais “de aldeia” têm perdido terreno. Umas por falta dos motivos apresentados, outras também pela falta de qualidade e de programas menos bem conseguidos.

 

Sendo assim, porque não intercalar as festividades, não lhes dando corpo anualmente, mas sim, de forma cíclica rodando pelos respectivos festejos, isto claro está, a parte pagã, pois a religiosa não tem custos, não envolve logística, comissões e angariadores de donativos. A celebração religiosa, incluindo as procissões manter-se-ia anualmente a alimentar a fé de quem a sente e alimenta.

 

Quanto à parte pagã, num ano realizava-se a festa em honra de N.ª Sr.ª de Alumieira, noutro ano o S. João e assim sucessivamente. A freguesia contribuía só para uma, os grupos seriam de maior qualidade, e o bairrismo de cada lugar acentuar-se-ia positivamente.

 

Os loureirenses deverão seriamente pensar nisto e, sei que não sou o único a ter esta opinião para que a matriz da nossa cultura local não ceda e se vá afundando lentamente no esquecimento. O exemplo recente do que foi a festa de N.ª Sr.ª de Alumieira é disso exemplo. Saúdo daqui as senhoras que abraçaram a causa desesperadamente para manter viva a tradição mas esta não é seguramente a forma mais certa, a meu ver, para perpetuar no tempo as nossas ricas festividades, caso o queiramos fazer. Pensemos então e digamos de nossa justiça o que melhor nos servirá. Os jovens terão uma palavra a dizer. Loureiro também conta com eles para a preservação da sua identidade.

 

(A publicar também no Notícias de Loureiro deste mês).

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