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Este blog é um espaço de debate e partilha de opiniões. Não te esqueças que o sustento do Homem provém da lavoura. Lança a semente, cultiva-a, ela te saciará...

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Este blog é um espaço de debate e partilha de opiniões. Não te esqueças que o sustento do Homem provém da lavoura. Lança a semente, cultiva-a, ela te saciará...

26.02.09

"Não é a excelência, mas sim a felicidade!"

Rui Luzes Cabral

"Não tenho filhos e tremo só de pensar. Os exemplos que vejo em volta não aconselham temeridades. Hordas de amigos constituem as respectivas proles e, apesar da benesse, não levam vidas descansadas. Pelo contrário: estão invariavelmente mergulhados numa angústia e numa ansiedade de contornos particularmente patológicos. Percebo porquê. Há cem ou duzentos anos, a vida dependia do berço, da posição social e da fortuna familiar. Hoje, não. A criança nasce, não numa família mas numa pista de atletismo, com as barreiras da praxe: jardim-escola aos três, natação aos quatro, lições de piano aos cinco, escola aos seis, e um exército de professores, explicadores, educadores e psicólogos, como se a criança fosse um potro de competição. Eis a ideologia criminosa que se instalou definitivamente nas sociedades modernas: a vida não é para ser vivida - mas construída com sucessos pessoais e profissionais, uns atrás dos outros, em progressão geométrica para o infinito É preciso o emprego de sonho, a casa de sonho, o maridinho de sonho, os amigos de sonho, as férias de sonho, os restaurantes de sonho.

 
Não admira que, até 2020, um terço da população mundial esteja a mamar forte no Prozac. É a velha história da cenoura e do burro: quanto mais temos, mais queremos. Quanto mais queremos, mais desesperamos. A meritocracia gera uma insatisfação insaciável que acabará por arrasar o mais leve traço de humanidade. O que não deixa de ser uma lástima. Se as pessoas voltassem a ler os clássicos, sobretudo Montaigne, saberiam que o fim último da vida não é a excelência, mas sim a  felicidade!" João Pereira Coutinho, jornalista.
 
24.02.09

O Carnaval ou Entrudo Português

Rui Luzes Cabral

Quem será que vem de fora à procura do nosso carnaval “abrasileirado”? Ninguém presumo eu. O turismo que quer ver samba a sério e bailarinas a dança-lo vão para o Rio de Janeiro. Nós deveríamos apostar mais nas nossas raízes, em que o Carnaval ou Entrudo fosse a tradução da nossa cultura popular. Há poucos exemplos dessa procura de autenticidade pois o que se vê por aí em grande número são raparigas quase em hipotermia quando S. Pedro não ajuda no tempo. E tirar a roupa quase toda em Fevereiro não é muito agradável.

 
E depois, quando ouço o pessoal a cantarolar em português do Brasil, ainda o meu descontentamento é maior.
Faça-se festa, mas uma festa nossa. Com os nossos costumes, o nosso sotaque, os nossos artistas, a nossa gente, pois só assim é que contribuímos para a diversidade. Se no mundo inteiro, todos os carnavais fossem a imitar o do Brasil, que mau seria. Em Portugal a moda teima em desaparecer.
20.02.09

Maior Equidade Social e Fiscal

Rui Luzes Cabral

O PSD veio esta semana, e muito bem, propor uma “conta corrente envolvendo, de um lado, todos os impostos e contribuições para a segurança social, do outro, os créditos sobre o Estado, como as devoluções do IVA. Conta a movimentar (acerto de contas) todos os finais de cada mês” Público, 18 Fevereiro, pág. 2. Eu concordo na íntegra com esta medida e a 31 de Outubro de 2008 já tinha alertado aqui no lavoura para este problema. Esperemos que o Governo aproveite esta contribuição e a passe a lei.

 

Também recentemente Fernando Ruas (presidente da CM de Viseu e presidente da Associação Nacional dos Municípios Portugueses) elogiou o PRED – Programa de Regularização Extraordinária de Dívidas do Estado, programa que ajuda as autarquias e outros órgãos estatais a pagar a fornecedores e empreiteiros. Tudo o que for para ajudar quem trabalha é bem-vindo. Aliás é uma obrigação do Estado encontrar formas para uma boa gestão e uma maior equidade fiscal e social.
18.02.09

O HORROR DO VAZIO

Sérgio Cabral
Depois de em Outubro ter morto o casamento gay no parlamento, José Sócrates, secretário-geral do Partido Socialista, assume-se como porta-estandarte de uma parada de costumes onde quer arregimentar todo o partido.
Almeida Santos, o presidente do PS, coloca-se ao seu lado e propõe que se discuta ao mesmo tempo a eutanásia. Duas propostas que em comum têm a ausência de vida. A união desejada por Sócrates, por muitas voltas que se lhe dê, é biologicamente estéril. A eutanásia preconizada por Almeida Santos é uma proposta de morte. No meio das ideias dos mais altos responsáveis do Partido Socialista fica o vazio absoluto, fica "a morte do sentido de tudo" dos Niilistas de Nitezsche.
A discussão entre uma unidade matrimonial que não contempla a continuidade da vida e uma prática de morte, é um enunciar de vários nadas descritos entre um casamento amputado da sua consequência natural e o fim opcional da vida legalmente encomendado. Sócrates e Santos não querem discutir meios de cuidar da vida (que era o que se impunha nesta crise). Propõem a ausência de vida num lado e processos de acabar com ela noutro. Assustador, este Mundo politicamente correcto, mas vazio de existência, que o presidente e o secretário-geral do Partido Socialista querem pôr à consideração de Portugal. Um sombrio universo em que se destrói a identidade específica do único mecanismo na sociedade organizada que protege a procriação, e se institui a legalidade da destruição da vida.
O resultado das duas dinâmicas, um "casamento" nunca reprodutivo e o facilitismo da morte-na-hora, é o fim absoluto que começa por negar a possibilidade de existência e acaba recusando a continuação da existência. Que soturno pesadelo este com que Almeida Santos e José Sócrates sonham onde não se nasce e se legisla para morrer.
Já escrevi nesta coluna que a ampliação do casamento às uniões homossexuais é um conceito que se vai anulando à medida que se discute porque cai nas suas incongruências e paradoxos. O casamento é o mais milenar dos institutos, concebido e defendido em todas as sociedades para ter os dois géneros da espécie em presença (até Francisco Louçã na sua bucólica metáfora congressional falou do "casal" de coelhinhos como a entidade capaz de se reproduzir). E saiu-lhe isso (contrariando a retórica partidária) porque é um facto insofismável que o casamento é o mecanismo continuador das sociedades e só pode ser encarado como tal com a presença dos dois géneros da espécie. Sem isso não faz sentido. Tudo o mais pode ser devidamente contratualizado para dar todos os garantismos necessários e justos a outros tipos de uniões que não podem ser um "casamento" porque não são o "acasalamento" tão apropriadamente descrito por Louçã.
E claro que há ainda o gritante oportunismo político destas opções pelo "liberalismo moral" como lhe chamou Medina Carreira no seu Dever da Verdade. São, como ele disse, a escapatória tradicional quando se constata o "fracasso político-económico" do regime. O regime que Sócrates e Almeida Santos protagonizam chegou a essa fase. Discutem a morte e a ausência da vida por serem incapazes de cuidar dos vivos.
 
Mário Crespo
In Jornal de Notícias – 16. 02. 2009
18.02.09

FALSOS INDEPENDENTES

Rui Luzes Cabral

O convite vem hoje nos jornais. Elisa Ferreira, através da concelhia do PS Porto conta com a presença de todos quantos queiram presenciar a apresentação “da candidata independente (faz questão em frisá-lo) à presidência da Câmara Municipal do Porto”. Candidata independente?

 
Por que é que Elisa Ferreira e outros com a mesma postura só querem “ser do PS” quando interessa? Então uma Sr.ª que já foi ministra e é actualmente eurodeputada pelo PS, não é socialista? Eu quero lá saber se tem ou não cartão, isso é, em relação a ela, apenas uma formalidade que para o caso não conta. Assim, dá a entender que quando interessa, recebe-se as “benesses” de pertencer aos socialistas e quando não é conveniente, há o distanciamento e nada se tem a ver com eles.
 
Quando os partidos vão buscar alguém da comunidade para candidatos autárquicos que não estão envolvidos com os partidos, compreende-se e é de incentivar essa participação dos verdadeiros independentes. Agora dizerem que a Dr.ª Elisa Ferreira é independente, quem é que acredita?
 
Haja maior verticalidade política, os eleitores merecem.
15.02.09

Pior que animais

Rui Luzes Cabral

Há pouco ouvi no telejornal da RTP1 que as autoridades brasileiras estão a distribuir preservativos mas mesmo assim estão muito preocupadas com o aumento de contágio de SIDA que pode advir de “relacionamentos” muito inconscientes e irresponsáveis que geralmente acontecem durante os festejos do carnaval que estão a acontecer. Ao que tudo indica, mascaram a cara mas esquecem-se de proteger a parte mais importante.

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