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Este blog é um espaço de debate e partilha de opiniões. Não te esqueças que o sustento do Homem provém da lavoura. Lança a semente, cultiva-a, ela te saciará...

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29.12.10

Debate Manuel Alegre versus Cavaco Silva

Rui Luzes Cabral

O debate desta noite nada trouxe de novo. Meia dúzia de insinuações e três ou quatro generalidades, tanto de Alegre como de Cavaco. Um diz que não tem poder para mais, o outro que podia ir mais além. Um diz que sim o outro que não, um diz que não e o outro que sim. Os dois não disseram nada.

 

Para debates presidenciais, primeiro, julgo que meia hora é uma brincadeira. Depois não há ali uma ideia sobre o país, nem tampouco para que serve o Presidente da República.

 

Eu gostaria de ver os candidatos a discutirem se é ou não pertinente haver um só mandato de 7 ou 8 anos para que a função seja exercida com mais liberdade e descomprometimento. Gostava de ouvir os candidatos discutirem as competências e funções do presidente, visto que sempre se queixam que pouco podem. Gostava de ouvir os candidatos a falarem sobre o que pensam verdadeiramente sobre o país, não se escusando sempre na descrição da função que exercem ou querem exercer. Gostava de os ouvir a lançar ideias para a sustentabilidade do país. Gostava de os ouvir falar sobre o que é hoje o sector público e o que faz o privado e os seus grupos de interesse para o aniquilar. Gostava de os ouvir falar sobre os “mercados”, quem são, onde estão, o que os movem. Gostava de os ouvir falar sobre a regionalização política do país. Gostava de os ouvir falar nos mais desprotegidos da sociedade.

 

Gostava, mas nada. Não ouvi nada disso nem outras ideias interessantes.

 

De uma coisa estes debates têm servido: para demonstrarem a irrelevância do cargo. E o país também não anda muito preocupado com esta eleição, muito menos com a crise. Os portugueses, ou melhor dizendo, uma parte significativa deles, andam preocupados com eles próprios, com as suas férias, o telemóvel novo que saiu no Natal, a época de saldos que agora começou, o espumante para a passagem do ano…

 

Nem o deficit os entusiasma ou irrita. Isso é bom para os jornais, televisões e oposição.

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