Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

lavoura

Este blog é um espaço de debate e partilha de opiniões. Não te esqueças que o sustento do Homem provém da lavoura. Lança a semente, cultiva-a, ela te saciará...

lavoura

Este blog é um espaço de debate e partilha de opiniões. Não te esqueças que o sustento do Homem provém da lavoura. Lança a semente, cultiva-a, ela te saciará...

Europeias: Campanha eleitoral já começou hoje, segunda-feira, oficialmente.

 

A campanha eleitoral para as eleições europeias arrancou oficialmente, hoje, dia 25 de Maio e vai decorrer até dia 5 de Junho. As eleições têm data marcada para 7 de Junho.
As pessoas andam um pouco apáticas e não demonstram interesse por estas eleições europeias. Lembro uma história brilhante que se passou comigo há uns anos, aquando da entrada de Portugal na União Europeia; Uma senhora emigrada no Luxemburgo comentava…. “Antes era uma emigrante no Luxemburgo, agora sou uma cidadã europeia num país da comunidade.” Sempre considerei este pensamento brilhante, as eleições europeias são muito importantes, já que vamos escolher os 22 representantes de Portugal, para que no parlamento europeu possam trabalhar de forma a proteger os interesses nacionais e os interesses europeus, pois só uma Europa, forte e coesa, poderá promover estados fortes e coesos. Na minha opinião europeísta, penso que só uma Europa forte poderá potenciar estados fortes, na lógica inversa, teremos estados de primeira, de segunda e de terceira linha, onde germinarão os egoísmos nacionalistas.  
A abstenção poderá ser a grande vencedora destas eleições, o que será uma derrota para o sistema democrático. Votar é um direito cívico fundamental da humanidade e pensando em todas as pessoas que lutaram nas ruas ao longo dos tempos para que cada um de nós pudesse votar, morrendo por vezes pelo direito ao voto, neste caso já é só um direito, mas sim um dever ético de cada um de nós em ir às urnas votar.
Vamos todos votar dia 7 de Junho.

A DESCRENÇA NUMA MAIORIA ABSOLUTÍSSIMA

De vez em quando, alguns (jornalistas e outras personalidades) senhores ou grupos (de interesse?), tentam lançar na opinião pública ideias (ou ideais) salvivícas que se pretendem mobilizadoras. Desta vez e, imcompreensivelmente, “pegando” em algumas palavras de Cavaco Silva, tentam logo e à pressa, fazer crer que, depois da contenção do déficit, o que “endireitava” mesmo Portugal era um governo de Bloco Central (PS / PSD), ou seja, uma maioria absolutíssima. Não percebo tal “crença” numa solução, que ao se materializar, ajudaria a liquidar parte da nossa democracia. Já há tanta gente a dizer mal de uma maioria absoluta de um só partido, fará então uma de dois. Maioria absolutíssima, não obrigado.

 
Portugal, pelo contrário, precisa é que se coloque um ponto final no já existente e longo bloco central, em que PS e PSD têm dividido “à mesa do Estado” orçamentos, cargos, benesses e, por causa disso, divide também o eleitorado, que procura “sossego” e emprego público. Portugal, precisa é de maior representatividade partidária e não um sistema de “duocracia” que tem proporcionado um cada vez maior afunilamento partidário. 
 
Nem quero ouvir falar de tal solução (bloco central), embora tenha a plena consciência que posso ter que a “engolir” e suportar amarguradamente. Prefiro que o PS governe em maioria relativa, nem que para isso, tal governo, seja curto e desemboque em eleições temporãs. Antes isso, do que maiorias superficiais e ilusórias. E não venham com a conversa de mais crise para caucionar, a esse pretexto, uma política de que muitos já andam por aí a ver se “cola”. Quem ganhava com isso? O povo, aquele que vive na profunda pobreza, o remediado e o acautelado (representam, seguramente metade da população) não ganharão nada com isso, certamente.
 
Os políticos, os banqueiros e os grandes empresários que se habituem a respeitarem a vontade do povo nas urnas e, não queiram mudar à posterior um decisão dada pelo voto de cada um. Se se vota e, se daí resultar uma maioria relativa ou absoluta, que se respeite tal decisão. A haver procura de governabilidade, que se faça pontualmente no parlamento e não criando governos para agradar a uma minoria.

CAÇADAS

Era Fatal que o empobrecimento do país (mais rápido do que previa a ingenuidade do cidadão distraído) provocasse uma ou outra forma de caça às bruxas das muitas que a cultura indígena costumam servir de primeiro alvo: porque usam o poder (que se imagina enorme) em seu próprio benefício e porque exploram e desprezam o povo. Os ricos (mesmo sem dinheiro) são o segundo alvo, sobretudo se andaram na política, porque se fizeram fatalmente à custa da probreza do próximo. E, em versões mais sofisticadas, também aparece, como terceiro alvo, o horrível empresário português, que vive da protecção e do favor do Estado, foge do risco e não cria verdadeira riqueza. Dantes também se perorava muito contra os funcionários públicos, que hoje, protegidos pelo número, gozam de uma certa imunidade.

 
A caça às bruxas parte necessariamente da ética, da responsabilidade e do altruísmo do acusador (sem essa presunção o exercício não era possível). E promete um castigo exemplar aos vários bandos de putativos celerados. Mas ninguém se preocupa em apanhar nenhum celerado em especial. A vida de cada português – pelo menos dos portugueses da classe média – avançou quase sempre por métodos que dispensam (e não toleram) escrutínio e a sociedade inteira assenta numa fraude colectiva e tácita, que por prudência e vontade de sobreviver não se discute. É, por isso, que se fala tanto em corrupção e não se prende ninguém por corrupção. A caça às bruxas não se destina, no fundo, a caçar bruxas com nome, cara e cadastro. Só por si, o alarido alivia a inveja e a consciência.
 
O “enriquecimento ilícito” ou, melhor o “enriquecimento que se suspeita ilícito” é o crime simbólico desta crise. Não vale a pena insistir no ónus da prova (que uma investigação aparentemente inverte) ou nos direitos básicos, que os justiceiros não se importam de pôr de parte. Nem vale a pena perguntar quantos casos de “enriquecimento ilícito” se calcula que existam e quanto tempo a um tribunal e a uma sentença (calculo que poucos). A retórica que por aí vai não passa de uma rejeição para consumo público da miséria que ficou à mostra e que, de resto, os portugueses nunca ignoraram que lá estava. Brandir o “enriquecimento ilícito” equivale a brandir uma virtude rara e uma promessa de salvação iminente. Não custa nada. E paga bem.
 
Vasco Pulido Valente, Público, 19 de Abril de 2009

Onde Foi Que Nos Perdemos?

Não Não haverá hoje quem não conheça, ou não tenha pelo menos, ouvido falar de Susan Boyle, dona de casa escocesa que se apresentou num programa televisivo de novos talentos.

 

Quarentona, anafada, humilde na indumentária e no penteado, sem adornos ou maquilhagem, Susan foi ridicularizada pelo Júri, pelo público e, por certo, por todos os que, em casa, nos seus sofás, assistiam ao programa. Porquê? Porque Boyle não correspondia, em termos de imagem, ao social e esteticamente esperado: a juventude, a beleza estereotipada, a elegância – equivalente a magreza –, o vestir segundo as tendências da moda. Foi olhada quase como um palhaço, uma aberração. Depois de partilhar com aquela audiência o seu sonho – ser uma artista internacional – Susan começou a cantar e calou a ironia, apagou os risos trocistas e os olhares de desdém.

 

A sua voz era divinal. A vergonha desceu como uma cortina sobre o rosto de todos. Há minutos atrás, ninguém havia dado nada por aquela figura, considerada burlesca. Agora, rendiam-se, emocionando-se até às lágrimas.

 

Mas quem somos nós, afinal, para julgar, pela aparência, quem quer que seja? Não somos ninguém mas a verdade é que todos o fazemos; “o hábito faz o monge”, lá diz o adágio popular! O fenómeno não é novo. A crítica gratuita ao outro, a maledicência, até mesmo a exclusão do indivíduo, sempre foram fenómenos antropológicos. Nas sociedades actuais, em especial nas urbanas, a despersonalização, a desumanização são realidades mais acutilantes. Fazemos todos parte de uma massa uniforme, formatada por Cânones ditos social, estética, politica e psicologicamente correctos.

 

Os valores humanistas deram lugar a valores estéticos. Não se fala de solidariedade, de igualdade, de fraternidade, de bondade. Ao invés, endeusa-se a beleza dos corpos e a ilusão da juventude. Onde foi que nos perdemos? Porque nos esquecemos do Homem – de nós próprios – enquanto ser espiritual? Colocámo-nos no centro do universo e, paradoxalmente, esquecemo-nos de quem somos, divorciámo-nos da nossa essência, confundimos o acessório com o fundamental. Ter e parecer tornaram-se mais importantes do que SER.

 

Talvez que a crise económica mundial venha, de alguma forma, redefinir o cenário dos valores humanistas, elevando-os na consciência da Humanidade, agora entorpecida e embriagada de si mesma. Sob pena de nunca nos reencontrarmos, é urgente regressarmos às origens, recordarmos e tornarmos real a teoria do Bom Selvagem de Rousseau e procurar dentro de nós o que nos torna humanos e não autómatos: a capacidade de reconhecermos a unicidade de cada ser humano, o milagre que é cada um, a dignidade que a todos assiste, o respeito que a todos devemos. Susan Boyle deu-nos uma lição de humanidade. Apreendemo-la?

 

Joana Simões Garim 22 de Abril de 2009. Aluna do 12.º Ano de Assistente de Arqueólogo da Escola Profissional de Arqueologia

Pág. 1/3