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Este blog é um espaço de debate e partilha de opiniões. Não te esqueças que o sustento do Homem provém da lavoura. Lança a semente, cultiva-a, ela te saciará...

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Presidenciais 2011 - As voltas que dá a política para alguns…

Ontem à noite, Cavaco Silva engoliu uma vez mais “um grande sapo”. Paulo Portas, que nasceu para a política a dizer mal do antigo Primeiro-ministro, subiu a palco em Aveiro para o elogiar, para dizer que é o candidato mais bem colocado para ser Presidente da República. As voltas que dá a política para alguns…

 

Cavaco Silva, prefere esquecer o passado em troca dos votos do CDS-PP, algo que não lhe agradará, mas neste momento serve.

 

Este é o mesmo Cavaco Silva que há poucos dias promulgou o diploma do Governo sobre o ensino particular e cooperativo e agora vem apoiar o protesto do povo nas ruas.

 

Este é o mesmo Cavaco Silva que quer credibilizar a classe política mas gosta de afirmar que não é político, tendo a sua vida activa sido ocupada pela política pura e dura.

 

Este é o mesmo Cavaco Silva que não tem vergonha de dizer em frente às câmaras que há poucos anos era um “mísero professor”, como que fazendo crer que um político como ele, exercendo os cargos que já exerceu, não está sujeito, infelizmente, às mesmas tricas que os outros actores políticos.

 

Este é o mesmo Cavaco Silva que era o garante da Nação devido à sua formação em economia e finanças, o mais bem preparado para a “cooperação estratégica” com o Governo de Sócrates e foi na sua presidência que mais problemas temos com essa área da governação.

 

Este é o mesmo Cavaco Silva que pensávamos que era activo na sua magistratura de influência, mas parece que só agora, que quer novamente ser eleito, é que admite que vai então proceder a uma “magistratura activa”. O que andou a fazer até agora?

 

Este é o mesmo Cavaco Silva que responsabiliza os políticos (que ele tanto abomina) pelo estado a que chegou o nosso Estado e nunca lhe ouvimos uma palavra de autocrítica ou análise do seu tempo como ministro das finanças ou das suas duas maiorias absolutas.

 

Este é o mesmo Cavaco Silva de sempre. Quem tem memória e acompanha a política portuguesa do pós 25 de Abril não estranha.

 

É óbvio que Fernando Nobre, Francisco Lopes, Manuel Alegre, Defensor Moura e José Manuel Coelho também têm os seus defeitos e as suas incongruências políticas. Mas pelo menos, os seus apoiantes não julgam que estão acima de ninguém, não pensam que são a reserva moral da Nação, que são inatacáveis, ou que são os “super-sérios” das redondezas. Os mesmos que acreditam que ele nunca se engana e raramente tem dúvidas são os mesmos que vêem em Sócrates e nos socialistas os estrafegos do país. Não se coloque o ónus da desgraça só de um lado da balança. Isso quando há desgraça, que considero não existir. Portugal está no ranking dos melhores países do mundo para se viver.

 

Posto isto, volto a repetir algumas frases que escrevi recentemente neste espaço sobre esta campanha, no rescaldo do debate Cavaco – Alegre e ninguém ousou contrariar:

 

Eu gostaria de ver os candidatos a discutirem se é ou não pertinente haver um só mandato de 7 ou 8 anos para que a função seja exercida com mais liberdade e descomprometimento.

 

Gostava de ouvir os candidatos discutirem as competências e funções do presidente, visto que sempre se queixam que pouco podem. Gostava de os ouvir falar sobre a regionalização política do país.

 

De uma coisa estes debates têm servido: para demonstrarem a irrelevância do cargo. E o país também não anda muito preocupado com esta eleição, muito menos com a crise. Os portugueses, ou melhor dizendo, uma parte significativa deles, andam preocupados com eles próprios, com as suas férias, o telemóvel novo que saiu no Natal, a época de saldos que agora começou, o espumante para a passagem do ano…

 

Nem o deficit os entusiasma ou irrita. Isso é bom para os jornais, televisões e oposição.

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